A Notícia

Sábado
04 de fevereiro de 2012

A Noticia Esportiva

Blog do Carlitão

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Internautas, Carlito Gravel é o novo colunista de esporte do A Notícia e está assinando A Notícia Esportiva. Portanto, todas as notícias referentes ao esporte que são publicadas na versão impressa se encontram no Blog do Carlitão, no endereço www.blogdocarlitao.com.br. Acesse e fique sabendo tudo o que acontece no esporte de nossa cidade e região.

 

 

O imperador voltou... de novo!!!

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Por Silvério Machado

“Saio de cabeça erguida. Perdi muito dinheiro, mas troco o dinheiro pela felicidade com a minha família no Brasil.”

A frase acima foi dita pelo atacante Adriano à TV italiana, Sky Sports. Se alguém tivesse viajado para um lugar sem internet ou qualquer outro tipo de informação nos últimos dias, poderia pensar estar lendo notícia velha no noticiário do começo de março de 2011. O argumento de Adriano é o mesmo utilizado em 2009, quando não cumpriu contrato com a Internazionale de Milão. Chegou a fazer uma coletiva de imprensa anunciando que estava decidido a encerrar a carreira no futebol. Disse que não era feliz, que estava depressivo. Não se surpreenda se ele falar isso novamente. Naquela ocasião, Adriano acertou com o Flamengo após alguns dias. Não se surpreenda se isso também acontecer de novo.

Adriano Ribeiro Leite nasceu no dia 17 de fevereiro de 1982. Tudo foi muito precoce em sua carreira. Aos 18 anos estava integrando o time profissional do Flamengo e foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal. Um ano depois foi vendido para a Internazionale, sendo emprestado em sequência para Parma e Fiorentina com intuito de adquirir experiência. Deu certo. Em 2004, já reintegrado à equipe nerazzurri foi destaque da equipe na temporada. Pela seleção brasileira, foi o craque da Copa América, com direito a gol no último minuto da final contra a Argentina. Foi eleito o 6º melhor do mundo daquele ano. Em 2005, continuou em boa fase, conquistando o Campeonato Italiano e a Copa das Confederações, formando o quarteto mágico brasileiro juntamente com Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo. Foi o 5º melhor do mundo na eleição da FIFA.

Seu ocaso começou em 2006. Sentiu o baque com a morte do pai e não conseguiu render na Copa do Mundo da Alemanha. Virou mais notícia nos jornais de fofoca por conta de sua vida desregrada do que nas páginas esportivas. Foi afastado do time da Internazionale. Em 2008 foi emprestado ao São Paulo, onde fez gols e confusões em profusão. No retorno ao futebol italiano, não conseguiu retomar as boas atuações de outrora. Até que decidiu parar. Afirmou que não era feliz. E aí voltamos aos primeiros parágrafos deste texto.

No Flamengo fez aquilo que se esperava dele, tanto no campo como fora dele. Foi artilheiro e um dos líderes do time campeão Brasileiro de 2009. A torcida rubro-negra o exaltava. Chegou 2010 e o desinteresse que havia tomado conta da carreira de Adriano voltou. De novo foi bombardeado pela imprensa. Acusações de briga com a namorada, de envolvimento com o tráfico. Novamente teve reflexo dentro de campo. Foi coadjuvante de Vagner Love e um dos escolhidos como responsável pelo fracasso no Estadual e na Libertadores. Recebeu proposta da Roma e aceitou. Disse que tinha uma dívida a pagar no futebol italiano. Era o cenário perfeito: um “Imperador” em Roma. A torcida o recebeu com festa, mas Adriano pouco entrou em campo. No total, foram apenas oito partidas. Nenhuma completa. Feitos os cálculos, cada minuto de Adriano com a camisa da Roma custou quase R$ 11 mil. De novo era mais visto nas páginas de celebridades e até de policiais (foi pego em uma blitz com clara evidência de consumo de álcool). Marcou de se reapre
sentar ao clube italiano várias vezes até que a Roma desistiu. Anunciou a rescisão de contrato, abrindo mão do jogador, que também abriu mão de dinheiro para buscar a felicidade. Um busca eterna e que nunca parece alcançável.

Adriano tinha (tem?) tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo, mas ele parece não querer. Milhares de garotos lutam todos os dias para chegar aonde ele chegou. Adriano simplesmente abre mão disso tudo. Não é só a história de alguém que está com saudades da família e do lugar de onde veio. Se fosse apenas isso, seria até elogiável. Mas é a história de quem não consegue se manter focado. De quem não consegue cumprir compromissos.

E Adriano está de volta ao Brasil, não necessariamente ao futebol brasileiro. Apostar em Adriano é correr riscos. Pode dar em um título importante ou em um fracasso retumbante. Aos 29 anos está de novo de volta. Adriano voltou. Será que o “Imperador” também?

 

 

Balanço da Taça Guanabara 2011

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Por Silvério Machado

A Taça Guanabara foi criada em 1965 para indicar o representante do Rio de Janeiro para a Taça Brasil. Com a extinção da Taça Brasil em 1968, a Taça Guanabara passou a valer como primeiro turno do Campeonato Carioca.

No último domingo (27), o Flamengo conquistou sua 19ª Taça Guanabara. É disparado o maior vencedor, seguido de longe pelo Vasco, que venceu 11, o Fluminense, com oito e o Botafogo, com seis conquistas. América, Americano e Volta Redonda com uma cada, completam a lista de vencedores da competição.

O Flamengo teve uma campanha quase que irretocável: em nove jogos, venceu oito e empatou um, que teve sabor de vitória – 1 x 1 contra o Botafogo na semifinal, com vitória nos pênaltis.  Foram 16 gols marcados e apenas cinco sofridos, o que o coloca como melhor defesa. O Resende também levou apenas cinco gols, mas em um número menor de partidas: sete.

Por falar em gols, na Taça Guanabara deste ano, as redes foram balançadas 97 vezes em 59 jogos, uma média de 3,14 gols por partida. O melhor ataque ficou com o Fluminense, que balançou a rede adversária 22 vezes, seguido do Botafogo, com 20. O pior ataque foi o do Volta Redonda, com parcos quatro gols em sete jogos. O 2º pior ataque foi o do América, com apenas seis gols feitos. Além da inoperância do ataque, o tradicional time alvirrubro teve a pior defesa da competição: 22 gols sofridos. Destes, nove foram em apenas uma partida – na degradante derrota por 9 x 0 contra o Vasco – maior goleada na história dos confrontos entre as duas equipes e também a maior da Taça Guanabara deste ano.

Os times considerados pequenos até tiveram bom aproveitamento. Além do surpreendente vice-campeonato do Boavista, as equipes de menor investimento chegaram a incomodar os grandes. Só Flamengo e Fluminense venceram todas as partidas contra os times “pequenos”. O Botafogo empatou com Bangu e Macaé e o Vasco perdeu para Resende (1x0), Nova Iguaçu (3x2) e Boavista (3x1).

Na parte disciplinar, destaque para o Flamengo, que levou apenas 21 cartões amarelos e nenhum vermelho em nove partidas. Foi a melhor média da competição. O time que menos foi advertido com cartão amarelo foi a Cabofriense (17 em sete jogos). Já quem mais levou amarelo foi a equipe do Boavista, com 33 advertências. Já a equipe com mais expulsões foi o Americano, com cinco cartões vermelhos em sete partidas. Além do Flamengo, Duque de Caxias, Resende e Volta Redonda não tiveram jogadores expulsos durante a Taça Guanabara. O árbitro que mais atuou foi Marcelo de Lima Henrique: cinco jogos, incluindo a final entre Flamengo e Boavista. No total, ele distribuiu 26 cartões amarelos e um vermelho. O juiz que mais advertiu com cartões amarelos foi Wagner do Nascimento Magalhães: 32 cartões em quatro partidas. Já quem mais expulsou foi Antônio Frederico Carvalho Schneider, que aplicou quatro cartões vermelhos em apenas duas partidas.

O público presente nas 59 partidas da Taça Guanabara foi de 321.890, o que representa uma média de 5.426 pessoas por partida. Nove fora as denúncias de irregularidades nos borderôs, é a segunda melhor média de campeonatos estaduais este ano, atrás apenas do Pernambucano. A partida de melhor público foi registrada na 5ª rodada, no jogo entre Flamengo e Nova Iguaçu. No total, 42.108 pessoas estiveram presentes no Engenhão para acompanhar a estreia de Ronaldinho Gaúcho pelo rubro-negro. Apesar de um público presente menor (41.708), a final da Taça Guanabara foi a que obteve a maior renda: R$ 1.198.930,00. Detalhe: foi a 2ª maior renda registrada na história do Engenhão. A maior aconteceu na partida entre Brasil e Bolívia, que terminou em 0 x 0, em 2008: R$ 3.047.770,00 para um público de pouco mais de 31 mil pagantes.

O Flamengo conquistou a Taça Guanabara de forma invicta pela 7ª vez na história. O técnico Vanderlei Luxemburgo utilizou 23 jogadores na campanha. São eles: Felipe (9 jogos), Léo Moura (9), Egídio (7), David Braz (9), Wellinton (8), Ronaldo Angelim (4), Jean (2), Willians (9), Fernando (6), Maldonado (4), João Vitor (1), Muralha (1), Renato Abreu (8), Thiago Neves (7), Ronaldinho (5), Vander (5), Marquinhos (5), Fierro (4), Botinelli (2), Deivid (8), Wanderley (5), Negueba (4), Diego Maurício (2).

Um dado importante e que traz boas notícias para o torcedor rubro-negro. Nas últimas seis vezes que a equipe havia conquistado a Taça Guanabara (1996, 1999, 2001, 2004, 2007 e 2008), o Flamengo levou também o Campeonato Carioca. A final já está garantida e se depender do retrospecto recente, o título também.

 

Não é loteria

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Por Silvério Machado

Segundo o dicionário, um dos significados para a palavra loteria é: coisa ou negócio que depende do acaso. Ainda de acordo com o dicionário, acaso significa acontecimento incerto ou imprevisível; sucesso imprevisto, casualidade, eventualidade, sorte.

Virou moda no futebol brasileiro depois de decisões por pênaltis a expressão: pênalti é loteria. Isso serve pra justificar ou tentar arrumar uma desculpa para a ineficiência dos cobradores/goleiros quando as penalidades máximas definem o vencedor. É a saída mais fácil quando um time grande não consegue vencer um de menor investimento no tempo regulamentar e acaba perdendo o confronto nas cobranças de penalidades.

Foi o que aconteceu na primeira semifinal da Taça Guanabara, quando o Fluminense esteve duas vezes na frente do placar e deixou o Boavista igualar e levar a decisão para os pênaltis, de onde saiu vencedor. Na saída do jogo, o goleiro tricolor Ricardo Berna disse com todas as letras: “Pênalti é loteria”. Imaginava ele que com esse argumento estava justificado o fracasso de ser eliminado ainda na semifinal. A mesma expressão foi utilizada pelo técnico do Botafogo, Joel Santana, logo após ser eliminado nos pênaltis frente ao Flamengo, na outra semifinal da Taça Guanabara. Mas será que é verdade? Será que pênalti é mesmo loteria, obra do acaso? Como explica os significados dessas palavras, descritos no primeiro parágrafo, pode-se afirmar que não.

Creditar à sorte ou a falta dela, a sua falta de competência para defender ou fazer os gols é desacreditar o trabalho. Thiago e Felipe, goleiros de Boavista e Flamengo, respectivamente, não podem ter seus trabalhos desmerecidos após defenderem duas cobranças de penalidade. Creditar ao acaso o sucesso deles é não reconhecer os seus méritos. Por padrão, quando uma equipe vence uma disputa por pênaltis, o goleiro é exaltado, seu trabalho admirado. Já a equipe perdedora acaba apelando para o blábláblá da loteria... Isto é uma coisa que sempre me incomodou. Assim como toda a partida, a disputa por pênaltis é decidida pelos méritos de uns e falhas de outros. Quem é melhor na ocasião, vence. E ponto. Não devemos culpar o acaso pelos nossos fracassos. Isso serve tanto para o futebol quanto para a vida. Voltemos ao dicionário. Competência: capacidade para apreciar e resolver algo.

Ainda sobre as decisões por pênaltis, chama a atenção o desempenho do flamengo nessas disputas. Ao longo deste século, portanto desde 2001, o time rubro-negro já decidiu 10 vezes um confronto oficial nas penalidades máximas. E saiu vencedor em oito oportunidades. Seu maior “freguês” nesta disputa é justamente o Botafogo. Foram três confrontos assim e o Flamengo levou a melhor em todas: Finais do Campeonato Carioca de 2007 (4x2) e 2009 (4x2) e a semifinal da Taça Guanabara deste ano (3x1). Além do Botafogo, o rubro-negro venceu o Vasco na semi da Taça Guanabara de 2007(3x1) – Ceará, pela Copa do Brasil de 2003(4x3) – Grêmio, na semifinal da Copa Mercosul de 2001(4x2) – Juventude, pela Copa do Brasil de 2001(3x2) e Fluminense, na final da Taça Guanabara de 2001 (5x3). Das oito disputas, Júlio César, hoje na Inter de Milão, era goleiro em quatro, Bruno em três e Felipe em uma. As únicas derrotas do Flamengo aconteceram para o Santos, em jogo válido pela 1ª fase da Sul-Americana de 2004(4x5) e San Lorenzo (Argentina), na final da Copa Mercosul de 2001 (3x4). Nessas duas ocasiões o goleiro era Júlio César.

Se o Flamengo leva ampla vantagem em decisões por pênaltis, o mesmo não se pode dizer do Botafogo. Além de perder as três disputas já mencionadas, o alvinegro teve mais três confrontos dessa forma: perdeu duas e venceu apenas uma. A única vitória aconteceu na semifinal da Taça Rio de 2007, sobre o Vasco (4x1). O Botafogo perdeu para o Fluminense, na Sul-Americana de 2006 (2x4) e para o Corinthians, na semifinal da Copa do Brasil de 2008 (4x5). No total, desde 2001, perdeu cinco dos seis confrontos.

Outro time que não tem se dado bem nas penalidades máximas é o Vasco. Em sete confrontos, ganhou apenas dois. Contra o Friburguense, pela semifinal da Taça Rio de 2004 (5x4) e Fluminense, na semifinal da Taça Guanabara de 2010 (6x5). Mas o saldo também é negativo contra o tricolor carioca. Desde 2001, foram mais dois confrontos e duas vitórias do Fluminense. Nas semifinais da Taça Rio de 2005 (7x8) e 2008 (4x5). Além das derrotas para Flamengo e Botafogo já citadas, o Vasco ainda perdeu a chance de disputar a final da Copa do Brasil de 2008, ao perder para o Sport (4x5).

Além dos confrontos cariocas já supracitados, o Fluminense disputou outras duas decisões por pênaltis. Em 2005 venceu o Treze (PB) pela Copa do Brasil (9x8) e em 2008 veio a maior derrota da história do tricolor: na final da Libertadores, diante de um Maracanã lotado, o Fluminense fez 3 x 1 sobre a LDU no tempo normal e levou a decisão para os pênaltis. Aí brilhou a estrela do goleiro equatoriano Cevallos e o Fluminense perdeu por 3 x 1. No saldo deste século, foram oito confrontos, com cinco vitórias e três derrotas.

 

Não Para, Não Para, Não Para

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Por Silvério Machado

Tomo a liberdade de pegar emprestada a ideia do técnico da seleção brasileira (e por 18 meses de Ronaldo, no Corinthians), Mano Menezes para o título desta coluna. Ela faz alusão ao grito da torcida do Timão, que incentivou o time nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil de 2009. Parece um clamor para continuar vendo Ronaldo jogar. Mas não este Ronaldo do último ano, que dividiu seu tempo entre campo-departamento médico. O Ronaldo que todos têm em mente e que ninguém queria ver parar é aquele que atravessava defesas sem se importar com quem estava na frente, como no antológico gol contra o Compostela, quando, jogando pelo Barcelona, arrancou desde o meio campo e fez uso de todas as suas melhores características: velocidade, explosão, força e conclusão exímia.

A história de Ronaldo começou como a de muitos outros meninos pobres da periferia do Rio de Janeiro. Chegou a fazer testes no Flamengo, foi aprovado, mas não retornou por não ter dinheiro para pagar as passagens dos quatro ônibus que teria que pegar até a Gávea. Acabou no São Cristóvão, que era mais perto de sua casa e que se comprometeu a custear a condução. Destacou-se e teve seu passe adquirido pelos empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta. O valor: US$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos dólares). Ínfimo para quem em 2002 valia mais de 43 milhões de euros, quando saiu da Inter de Milão e foi ser mais um galáctico do Real Madrid. Aliás, os valores das negociações de Ronaldo durante toda a carreira mostram quanto Botafogo e São Paulo bobearam em não investir 25 mil dólares em Ronaldo, quando os empresários supracitados ofereceram o então garoto de 15 anos aos clubes. O Cruzeiro apostou, pagou 50 mil dólares e teve retorno não só financeiro (um ano e meio depois o vendeu por seis milhões de dólares), mas também dentro do campo. Foram impressionantes 57 gols em 59 partidas.

Com o desempenho no Cruzeiro, Ronaldo chamou a atenção do Brasil e do técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, que o levou para a Copa com apenas 17 anos. Não chegou a entrar em campo na conquista do tetra, mas começava ali a história do maior artilheiro das Copas em toda a história. Foram 15 gols em quatro edições disputadas. Foi vice-campeão em 1998 e campeão em 1994 e 2002. História de craque, de gênio.

Ronaldo era Ronaldo Luis quando começou no Cruzeiro. Na Copa dos EUA em 1994, o grupo brasileiro contava com o zagueiro Ronaldão. Então ele virou Ronaldinho. Foi chamado assim até 1999, quando outro Ronaldo chegou à seleção: O Gaúcho, hoje no Flamengo. Então Ronaldo Luis Nazário de Lima virou Ronaldo, só. Apesar de muitos preferirem chamá-lo de Fenômeno, apelido que recebeu na Itália, quando jogava na Inter de Milão, período que foi também o pior de sua carreira. Em 1999 sofreu uma grave contusão no joelho. Quando tentou voltar, uma imagem chocou o mundo: em um jogo contra a Lazio, já em 2000, Ronaldo tenta uma pedalada e cai sozinho no gramado. O replay mostra que a rótula de seu joelho se desloca, provocando um “caroço”. Ronaldo sucumbe no estádio Olímpico de Roma. O mundo cai junto com ele, não acreditando ou querendo não acreditar no que via. Ronaldo é levado chorando, como choravam muito de seus fãs. Se Nélson Rodrigues fosse vivo, possivelmente escreveria que os deuses do futebol também estavam em prantos. Para muitos, ou quase todos, se encerrava ali, precocemente, a carreira do jogador que fora eleito melhor do mundo em 1996 e 1997.

As cenas de Ronaldo fazendo tratamento para voltar a jogar rodaram o mundo. Mas era difícil de achar alguém que apostasse que ele voltaria a jogar em alto nível. Mas ele voltou. Felipão apostou nele na Copa de 2002. O resto é história. Ronaldo foi eleito novamente melhor do mundo. Deu a volta por cima. Virou tema indispensável em qualquer palestra/livro de auto-ajuda. Virou comercial incentivando a não desistir, a tentar outra vez. Virou mito.

Não tive o prazer de ver Pelé, Garrincha, Zico e Maradona jogarem, por isso considero Ronaldo um dos melhores que pude acompanhar. Mais precisamente o segundo melhor, perdendo apenas para Romário. Mas sem dúvida alguma a história de Ronaldo é mais bonita. Não deve demorar a virar filme. Tenho orgulho de dizer que vi Ronaldo jogar. Obrigado, Fenômeno!

No total, Ronaldo fez 481 gols em 696 jogos. Destes, 62 foram pela seleção brasileira, se tornando o segundo maior artilheiro da história da seleção mais vitoriosa de todos os tempos. Está abaixo apenas de Pelé, que tem 95 gols com a “amarelinha”. O clube pelo qual mais vezes marcou foi o Real Madrid, onde balançou as redes 117 vezes em 193 partidas.

O menino de Bento Ribeiro ganhou o mundo. É um dos rostos mais conhecidos em todo o planeta. Teve tempo de voltar ao Brasil e dar a volta por cima mais uma vez no Corinthians. Mas seu corpo não respondia. Na entrevista coletiva de sua despedida, Ronaldo chorou e fez chorar ao afirmar que havia “perdido para o corpo”. Fez lembrar outro ídolo brasileiro, Guga, que quando se aposentou das quadras de tênis, declarou com olhos marejados: “Não é que eu não queira mais jogar. É que eu não consigo mais jogar”.

Certa vez, Didi, bicampeão do mundo com a seleção brasileira em 1958 e 1962, disse algo que vem ao encontro com o sentimento dos fãs do futebol neste momento. “Os ídolos deveriam ser eternos”.

 

 

Estrangeiro Futebol Clube

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Por Silvério Machado

Darío Conca, Walter Montillo e Andrés D´Alessandro foram três dos melhores jogadores do último Campeonato Brasileiro. O que eles têm em comum é óbvio: são estrangeiros, mais precisamente argentinos. Representam bem uma nova realidade que está surgindo no país do futebol: o mercado sul-americano nunca foi tão acessível e procurado pelos clubes brasileiros. Dos 20 clubes que vão disputar o Brasileirão da primeira divisão este ano, 15 contam com jogadores de outros países em seus elencos.

No total, são 30 jogadores, sendo que destes, apenas um não é sul-americano. Trata-se do atacante Geraldo, do Coritiba, natural de Angola. Isso mesmo: Angola. Ele tem apenas 19 anos e veio tentar a sorte no futebol brasileiro. Jogou a Copa São Paulo pelo Rio Claro até ser observado pelo Coritiba em um amistoso. Considerado uma das promessas do clube, já fez três gols com a camisa coxa-branca, inclusive o do título da Série B do ano passado.

Há outros casos curiosos. O zagueiro uruguaio Sorondo, do Internacional, conseguiu cidadania brasileira e agora tem dupla nacionalidade. O meia Breitner (seu nome todo é Overath Breitner da Silva Medina) tem 21 anos, nasceu em Barcelona, na Venezuela, mas é cria das divisões de base do Santos e atualmente está emprestado ao Figueirense. Prova de que os jovens estão sendo “garimpados” pelos clubes brasileiros também fora do país. Além disso, tem os casos de Deco, do Fluminense e de Liédson, recém contratado pelo Corinthians: eles são brasileiros de nascimento, mas se naturalizaram portugueses para defender a seleção daquele país, tendo participado inclusive da última Copa do Mundo. Se formos considerá-los como estrangeiros, o número sobe para 32.

Os clubes recordistas de estrangeiros no elenco são Internacional e Cruzeiro, com quatro jogadores cada. O time gaúcho já contava com os argentinos D´Alessandro e Guiñazu e este ano contratou mais dois hermanos: o atacante Cavenaghi e o volante Bolatti, que fez o gol que garantiu a Argentina na última Copa do Mundo. Isso sem contar o já supracitado Sorondo. E mais: todos eles são considerados titulares. É uma verdadeira filosofia da diretoria colorada. Cabe ressaltar que cada time só pode utilizar três jogadores estrangeiros por partida em competições organizadas pela CBF, o que obriga ao técnico do Inter deixar pelo menos um de fora a cada jogo (Sorondo, com dupla cidadania está livre desse impedimento). Mas na Libertadores, competição venerada pelo Inter e grande obsessão deste ano, não há limites e todos podem jogar . Vale lembrar que no ano passado o Inter contou com a presença do lateral uruguaio Bruno Silva e do goleiro argentino Abbondanzieri, que se aposentou.

Todos os quatro clubes grandes do Rio de Janeiro têm representantes internacionais. O Botafogo conta com os uruguaios Arévalo Ríos e Loco Abreu. O Flamengo também tem três: os chilenos Maldonado e Fierro e o argentino Darío Botinelli, e ainda Petkovic, que está afastado. O Fluminense tem, além de Conca, o colombiano Valencia. E o Vasco conta com o lateral paraguaio Irrazábal. Em Santa Catarina, o Avaí anunciou a contratação do colombiano Estrada e, na mesma semana, o Figueirense deu o troco, acertando com o paraguaio Pittoni, além de acertar o empréstimo de Breitner.

Muitas são as explicações para essa nova mentalidade do futebol brasileiro, que vai desde o sucesso de alguns estrangeiros, até a moeda forte do Brasil (Real) frente às outras dos vizinhos sul-americanos, passando pela disputa da Libertadores, que serve como pano de fundo para muitas das contratações. Os jogadores argentinos são maioria: 11, seguidos de Uruguai e Paraguai (4), Chile e Colômbia (3), Equador (2), Peru e Venezuela (1).

Não importa o motivo, o fato é que cada vez mais os gringos estão caindo na graça dos torcedores brasileiros. Um exemplo disso é a idolatria que a torcida do Botafogo nutre por Loco Abreu, a ponto de gritar o nome dele mesmo após ter perdido um pênalti no clássico contra o Fluminense. Além disso, durante a Copa do Mundo de 2010, enquanto ele estava na África do Sul fazendo suas “loucuras”, os botafoguenses torciam pelo Uruguai tanto quanto para o Brasil. O reflexo se deu logo depois do Mundial: as camisas confeccionadas com a cor azul celeste do Uruguai, com o símbolo do Botafogo e o nome do Loco Abreu venderam mais de 40 mil unidades, numa das mais bem sucedidas estratégias de marketing do futebol brasileiro. É, parece que eles vieram para ficar e mandar na bola, ou melhor, no balón.

Jogadores Estrangeiros nos clubes da 1ª Divisão:

ATLÉTICO – MG: Jairo Campos (EQU)
ATLÉTICO – PR: Nieto (ARG) – Guerrón (EQU) – Iván González (PAR)
AVAÍ: Estrada (COL)
BAHIA: Moreno (COL)
BOTAFOGO: Loco Abreu (URU) – Arévalo Ríos (URU) – Herrera (ARG)
CORINTHIANS: Ramirez (PER) – Liédson *
CORITIBA: Geraldo (ANG)
CRUZEIRO: Montillo (ARG) – Victorino (URU) – Farías (ARG) – Ortigoza (PAR)
FIGUEIRENSE: Pittoni (PAR) – Breitner (VEN)
FLAMENGO: Maldonado (CHI) – Fierro (CHI) – Botinelli (ARG)
FLUMINENSE: Conca (ARG) – Valencia (COL) – Deco*
GRÊMIO: Escudero (ARG)
INTER: D´Alessandro(ARG) - Bolatti (ARG) – Guiñazu (ARG) – Cavenaghi (ARG) – Sorondo (URU)
PALMEIRAS: Valdívia (CHI)
VASCO: Irrazábal (PAR)

 

 

Pelo bem dos Estaduais

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Por Silvério Machado

Como é bom ter o futebol de volta! Depois de um longo período, que parece maior, eis que temos de volta a bola rolando pelos gramados do Brasil. Saem de cena as novelas, negociações, especulações e outros termos comuns nesta época de “seca” futebolística e entram em campo os artistas do espetáculo. Agora ouviremos falar mais de Ronaldinho Gaúcho que de Assis; mais de tática do que de cláusulas contratuais, mais de jogos do que treinos físicos.

Não obstante a esta alegria por ver a bola rolar novamente, é impossível deixar de apontar os erros na primeira competição disputadas pelos clubes: os campeonatos estaduais. Existe uma forte corrente de pessoas que defendem o fim dos torneios estaduais. Não faço parte deste grupo. Sou apaixonado por esses campeonatos, seja pela tradição que eles representam ou, principalmente, pela rivalidade aflorada através da disputa. O Fla-Flu não seria Fla-Flu sem os estaduais. E o fim deles representaria também praticamente a extinção de clubes cheios de histórias, como Bangu, Olaria, Madureira, América, só para citar alguns do Rio de Janeiro. Apesar de não viver na época áurea desses clubes, reconheço e valorizo a tradição e a história deles, que ajudaram a construir a rica histórica do futebol carioca e brasileiro.

Mas a tradição dessas competições não pode servir de justificativa para o “inchaço” que vem ocorrendo nos estaduais. No Campeonato Carioca, por exemplo, são 16 equipes. Um número muito alto, ainda mais se for considerado o (baixo) nível dos times pequenos. Até 2007, era 12 equipes, número que considero aceitável. No Campeonato Paulista, o número de participantes chega a incríveis 20 clubes, e eles se enfrentam ao longo de 19 rodadas, fora a fase final. Um absurdo que consome 23 datas do calendário do futebol brasileiro e faz com que as equipes não tenham um tempo mínimo de pré-temporada.

Em entrevista recente, o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, foi muito sincero e corajoso ao afirmar que os estaduais servem mais às federações que aos clubes. Ceni foi preciso em sua análise. Ao aumentar o número de equipes, as federações diminuíram o nível técnico da competição para fazer política com os clubes pequenos, o que rende votos nas eleições das respectivas federações. É um círculo vicioso e não virtuoso. Com isso, se gasta muito tempo em jogos de baixo nível técnico e os estaduais acabam servindo como prolongamento da pré-temporada.

Até o final da década de 80 e começo da década de 90, os estaduais eram quase tão importantes quanto o Campeonato Brasileiro. Durante a década de 80, o Paulistão chegou a ser disputado em impressionantes 53 datas. Com o passar dos anos, foram perdendo força e sofreram um duro golpe em 2002, quando o Torneio Rio-São Paulo foi reformulado e os estaduais ficaram, em sua maioria, relegados a segundo plano, a ponto de clubes cariocas terem disputado grande parte da competição com times formados por juniores e jogadores não aproveitados nos profissionais. Com o advento da fórmula dos pontos corridos no Brasileirão, os estaduais foram “salvos”, mas vêm perdendo força ao longo dos anos.

Reitero que sou a favor dos campeonatos estaduais. É um título muito importante e valorizado pelos torcedores. Até por isso deveria se levar mais a sério e promover maior rigor técnico. Menos equipes vai significar um nível melhor e os times grandes vão poder se preparar com mais tempo e eficiência para as competições da temporada. Os times pequenos ganharão mais notoriedade: é difícil encontrar alguém que saiba de cor os 16 clubes do Carioca e/ou os 20 do Paulistão. Todos ganham, até as federações ganhariam em credibilidade. Os torcedores, que em sua maioria, adoram os estaduais, continuariam a prestigiá-lo. Este sim é um círculo virtuoso.

 

(Re) Começou

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Por Silvério Machado

Acabaram as férias e estamos de volta a todo vapor, assim como o futebol brasileiro. Abaixo, listo os prováveis times-base dos quatro grandes do Rio de Janeiro no começo de 2011, com suas respectivas táticas e observações.

Botafogo: Esquema Tático: 3-5-2
Jefferson, João Filipe, Márcio Rosário e Antônio Carlos; Lucas, Marcelo Mattos, Somália, Renato Cajá e Márcio Azevedo; Herrera e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana
OBS: Time base para as primeiras rodadas do estadual. É possível imaginar que Arévalo Rios entre no meio campo e Marcelo Mattos seja deslocado para a zaga. Provável que Everton seja titular na armação das jogadas no lugar de Renato Cajá. Em maio, o time conta com as voltas de Fábio Ferreira e Maicosuel, prováveis titulares.

Flamengo: Esquema Tático: 4-2-3-1
Felipe, Léo Moura, David Braz, Wellinton e Egídio; Maldonado, Willians, Botinelli (Renato), Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho; Deivid. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
OBS: A grande dúvida fica por conta de quem será titular no meio de campo. O argentino Dario Botinelli aparece como favorito, mas Renato Abreu pode ser utilizado na posição, apesar de ter mais características de jogador pelo lado esquerdo. Nesse caso, disputaria posição com Ronaldinho Gaúcho.

Fluminense: Esquema Tático: 4-4-2 ou 4-2-3-1
Diego Cavalieri, Mariano, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Valencia, Diguinho, Conca e Deco; Emerson e Fred. Técnico: Muricy Ramalho
OBS: Time ideal, contando com os jogadores contundidos como Conca, Carlinhos e Emerson. Souza tem treinado bem e pode aparecer como titular, ameaçando a vaga de Diguinho ou Valência, que também terão a concorrência do recém-contratado Edinho, que também pode jogar na defesa. Possível imaginar também o time no 4-2-3-1 com Conca centralizado, Souza ou Deco na direita e Araújo ou Emerson caindo pela esquerda com Fred centralizado.  

Vasco: Esquema Tático: 4-4-2
Fernando Prass, Fágner, Dedé, Anderson Martins e Ramón; Rômulo, Eduardo Costa, Felipe e Carlos Alberto; Éder Luis e Marcel. Técnico: PC Gusmão
OBS: Note que o Vasco tem um bom time titular, apesar de ser considerada a quarta força carioca. O problema é a falta de substitutos à altura dos titulares, principalmente se for considerado o histórico recente de lesões de Carlos Alberto, Felipe, Ramón e Fágner. A grande dúvida fica quanto ao aproveitamento de Zé Roberto, que está em vias de ser negociado com o Internacional. Se ficar em São Januário, pode entrar no lugar de Marcel e formar um quarteto ofensivo habilidoso, muito embora o técnico PC Gusmão tenha reclamado o ano passado da falta de um homem de referência na área. Difícil imaginar um caro e já insatisfeito Zé Roberto como reserva.

 

 

Números de 2010

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Por Silvério Machado

Com 2011 às portas, chegou a hora de analisarmos os números dos clubes brasileiros da primeira divisão, com destaque para os clubes cariocas e mineiros. Esclareço que os números a seguir são baseados em competições oficiais realizadas durante o ano de 2010. O balanço do Brasileirão foi publicado na última semana.

GOLS MARCADOS:

1º Santos – 176 gols em 74 jogos
2º Grêmio – 136 gols em 70 jogos
5º Atlético-MG – 117 gols em 68 jogos
7º Cruzeiro – 114 gols em 65 jogos
10º Fluminense – 111 gols em 62 jogos
12º Botafogo – 105 gols em 61 jogos
13º Flamengo – 104 gols em 66 jogos
18º Vasco – 89 gols em 64 jogos

ARTILHEIROS:

1º Neymar (Santos) e Jonas (Grêmio) – 42 gols
Atlético-MG – Obina 27 gols e Diego Tardelli 24 gols
Cruzeiro – Thiago Ribeiro 21 gols e Kleber 14 gols
Botafogo – Loco Abreu 24 gols e Herrera 19 gols
Flamengo – Vagner Love 23 gols e Adriano 15 gols
Fluminense – Fred 18 gols e Conca 14 gols
Vasco – Dodô 11 gols e Elton/Eder Luis 9 gols

GOLS SOFRIDOS:

1º Fluminense – 61 gols em 62 jogos
5º Vasco – 68 gols em 64 jogos
6º Cruzeiro – 70 gols em 65 jogos
7º Botafogo – 75 gols em 61 jogos
11º Flamengo – 82 gols em 66 jogos
15º Atlético-MG – 96 gols em 68 jogos

APROVEITAMENTO:

Fluminense – 64% - 62 jogos, 35 vitórias, 15 empates e 12 derrotas
Botafogo – 62% - 61 jogos, 31 vitórias, 19 empates e 11 derrotas
Cruzeiro – 61% - 65 jogos, 35 vitórias, 14 empates e 16 derrotas
 Flamengo – 52% - 66 jogos, 28 vitórias, 20 empates e 18 derrotas
Vasco – 52% - 64 jogos, 27 vitórias, 20 empates e 17 derrotas
Atlético-MG – 50% - 68 jogos, 29 vitórias, 15 empates e 24 derrotas

JOGADORES QUE MAIS ATUARAM:

Atlético-MG – Werley 56 jogos – 82%
Cruzeiro – Fábio 60 jogos – 92%
Botafogo – Leandro Guerreiro 57 jogos – 93%
Flamengo – Léo Moura 58 jogos – 87%
Fluminense – Conca 59 jogos – 95%
Vasco – Fernando Prass – 63 jogos – 98%

 

 

 
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