A Notícia

Sábado
19 de maio de 2012

Que mala!

E-mail Imprimir PDF

Por Silvério Machado

O Brasileirão de aproxima do fim e o assunto que mais se discute no meio esportivo não é a qualidade dos times, a tática dos técnicos, tampouco a técnica dos jogadores. O tema em voga é sobre as supostas malas no futebol.

A expressão “mala branca” é usada para definir o incentivo de um time que está precisando de alguma coisa no campeonato (título, Libertadores ou rebaixamento) para outro time que, teoricamente, não tem mais nada a fazer na competição. Este incentivo é em forma de dinheiro. Por isso, a expressão mala, em alusão a elas serem “carregadas” de dinheiro. A maioria dos jogadores acaba admitindo a existência da “mala branca” e não vêem problemas em recebê-la.

Existem inúmeros casos suspeitos sobre isso no futebol. No Brasileirão do ano passado, o Barueri, atual Prudente, derrotou o Flamengo, que disputava o título por 2 x 0. No fim do jogo, ao ser indagado sobre a motivação dos jogadores, o atacante Val Baiano, ironicamente hoje no rubro-negro, deu uma declaração de que os atletas do time paulista haviam recebido a tal “mala branca”. Resultado: Val Baiano e o goleiro Renê, outro que admitiu a existência do incentivo, foram afastados pela diretoria, que rechaçou qualquer possibilidade de terem recebido dinheiro para ganharem do Flamengo. Outra história que corre nos bastidores do futebol é mais antiga. Mais exatamente de 2002, quando o Gama, já rebaixado, teria recebido um “agrado” para derrotar o Coritiba, que lutava pela classificação para a segunda fase. Resultado do jogo: O Gama venceu por 4 x 0 numa partida épica de um time que, se tivesse jogado daquela forma no campeonato inteiro, estaria disputando o título e não rebaixado. Com isso, quem ficou com a classificação foi o Santos,que seria o “pagante” da mala branca ao Gama. Naquele ano, o Santos se consagrou campeão Brasileiro, com a geração que também consagrou Robinho, Diego e cia.

Entra aqui uma observação: tem-se discutido bastante a fórmula do Brasileirão. Alguns defendem avidamente a volta do sistema mata-mata. Mas este fato comprova que suspeitas de entregas e malas são comuns também neste sistema. Sou defensor dos pontos corridos, fórmula que considero mais justa, e acho que uma maneira de se minimizar estes problemas seria colocar mais clássicos regionais nas últimas rodadas, pois assim ninguém precisaria “entregar” para prejudicar o rival. 

A “mala branca” é eticamente reprovável, mas não configura nenhum crime, como seria a “mala preta”, expressão usada para que um time entre para perder uma partida para favorecer o seu adversário. Esse incentivo todos negam e realmente é mais difícil de acontecer, pois se comprovado, provavelmente acabaria com a carreira de todos os envolvidos.

É importante ressaltar que não há paralelo entre a mala branca e o ato de entregar o jogo, tema da coluna passada. O “entregar o jogo” por rivalidade mais se equipara com a mala preta do que com qualquer outra coisa. Outra colocação pertinente é de que nem sempre um time que perde o jogo está entregando-o. Não é por que o São Paulo perdeu para o Fluminense que ele entregou. Mas é óbvio que a motivação, ou a falta dela, de um time que não tem mais nada a disputar acaba influenciando na partida e, consequentemente, no resultado.

Portanto, que este as assuntos sejam encerrados para o bem de todos. É muito melhor reverenciar craques como Conca do que ficar falando sobre conspirações e armações. O futebol, com certeza, agradeceria.

BATE BOLA

 - A 37ª rodada do Brasileirão se inicia com três times na luta pelo título: Fluminense (65), Corinthians (64) e Fluminense (63) estão separados por apenas dois pontos na classificação. É a menor diferença entre os três primeiros colocada nesta altura do campeonato, desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos, em 2003. Apesar disso, no ano passado quatro times (São Paulo, Flamengo, Inter e Palmeiras) tinham chances de conquistarem o título. A diferença entre o primeiro (São Paulo) e o terceiro (Inter) era de três pontos (62 a 59).

 - Atualmente na nona colocação do Campeonato Brasileiro, o São Paulo não tem mais chances de disputar a Libertadores do ano que vem. A última vez que o tricolor não se classificou para o torneio continental foi no ano de 2003. Portanto, de 2004 a 2010 o São Paulo esteve presente em todas as edições. Entre os grandes times brasileiros, o que está há mais tempo sem disputar a Libertadores é o Botafogo, cuja última participação foi em 1996.

 - Ainda sobre o São Paulo. Este ano definitivamente não foi bom para o tricolor paulista. Até agora, o time já disputou 69 partidas na temporada, com 33 vitórias, 15 empates e 22 derrotas. Este número de derrotas é o maior obtido pelo São Paulo em uma única temporada nesta década. Anteriormente, o maior número de derrotas havia sido em 2005 (21), quando o time “abandonou” o Brasileirão para se concentrar na disputa do Mundial no fim daquele ano. Outro recorde negativo neste ano é que, pela primeira vez desde 1998, o São Paulo teve quatro técnicos em uma só temporada. Há 12 anos o tricolor foi comandado por Dario Pereyra, Nelsinho Baptista, Pita e Mario Sérgio. Em 2010, Ricardo Gomes começou o ano, depois foi demitido e Milton Cruz comandou a equipe por um jogo, depois Sérgio Baresi assumiu interinamente por 14 partidas até a chegada de Paulo Cesar Carpegiani.

 - O time que teve a maior média de público entre todas as divisões do Campeonato Brasileiro foi o Santa Cruz, que disputou a quarta divisão este ano. O Santa Cruz conseguiu levar ao Arruda 120.973 pessoas em quatro jogos, totalizando uma média de 30.243 torcedores por partida. O Corinthians, segundo em média de público, levou, até a 37ª rodada, 27.111 torcedores por jogo, na média.