Por Silvério Machado
As últimas discussões envolvendo o Campeonato Brasileiro (entrega para prejudicar rivais e mala branca, abordadas aqui nas duas últimas colunas) trouxeram à tona uma velha briga: de um lado os defensores dos pontos corridos versus os que preferem o “mata-mata” como sistema de disputa do Brasileirão.
O problema dessa discussão, como de muitas outras, é a não aceitação de argumentos contrários à sua preferência. Não há bem e mal. Existem gostos diferentes e o debate, desde que respeitados os de opinião diferentes, ajuda a melhorar e trazer mais consistência à competição. Sou um ávido defensor dos pontos corridos, mas não ignoro os argumentos de quem prefere o “mata-mata”.
Disputado desde 2003 no Brasileirão, o sistema de pontos corridos é uma fórmula já consagrada nos principais campeonatos do mundo. Quem defende o sistema de “mata-mata” fala que os campeonatos por pontos corridos não têm emoção. Refuto, constatando que o Campeonato Brasileiro de 2010 chega à sua última rodada, com três times com possibilidades de ser campeão, assim como no ano passado; há confrontos diretos por uma vaga na Libertadores e pela permanência na elite do futebol nacional. Apesar de reconhecer jogos marcantes, são em geral realizados no “mata-mata”, não há como negar que o sistema de pontos corridos proporciona disputas até o final.
O assunto voltou à pauta com as acusações de “entrega” e “mala branca”. Mas isso não é “privilégio” dos pontos corridos. Mencionei na coluna da semana passada a história que, em 2002, o Santos deu um incentivo financeiro (“mala branca”) para o Gama, já rebaixado, vencer o Coritiba, e com isso conseguiu se classificar para a fase final e ser posteriormente campeão. Nada impede também que um time já classificado e com posição assegurada entregue ou não se esforce a vencer uma partida contra um time que luta com seu maior rival por uma vaga para a fase seguinte. Estes casos não são culpa do sistema de disputa. Têm mais a ver com preceitos éticos ou o chamado “jeitinho brasileiro” para burlar qualquer coisa.
Uma das vantagens mais evidentes dos pontos corridos é o fato de que todos os clubes têm a mesma quantidade de jogos, independente da colocação. No “mata-mata”, apenas oito continuariam a disputar partidas (obtendo renda e direitos publicitários) com o restante tendo “férias forçadas” e tendo que dispensar jogadores, faltando alguns meses para o fim do ano. Há quem defenda que o “mata-mata” leva mais pessoas aos estádios. É verdade se for considerada apenas a fase final. O restante do campeonato tem média comparáveis aos dos pontos corridos. No ano passado, por exemplo, a média de público pagante do Brasileirão foi de 17.807, a maior desde 1987. Em 2008 e 2009 a média também foi alta, com 16.992 e 17.461, respectivamente.
A CBF divulgou nota garantindo que o sistema de pontos corridos está mantido e que, por ora, não há possibilidade alguma de mudança na fórmula de disputa do Brasileirão. O que resta então é aperfeiçoar o modo de disputa. Algumas ideias são bem interessantes, como colocar clássicos regionais nas últimas rodadas. Se, por exemplo, o Palmeiras enfrentasse o Corinthians na penúltima rodada, não haveria os problemas e as dúvidas que existiram na partida contra o Fluminense, onde o time claramente não quis jogar. Outra alternativa que pode caminhar junto com a dos clássicos nas últimas rodadas é diminuir o número de vagas na Copa Sul-Americana. Atualmente, oito equipes brasileiras se classificam e se enfrentam numa fase preliminar da competição, ficando quatro representantes brasileiros nas fases seguintes. Poderia simplesmente se classificar apenas quatro pelo Brasileirão, o que aumentaria a competitividade e amenizaria o desinteresse das equipes já classificadas na reta final do Campeonato Brasileiro.
São propostas para melhorar o nível da competição por pontos corridos. Para os amantes do “mata-mata”,vale ressaltar que Estaduais, Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana são disputados nesta fórmula.
BATE BOLA
- O Fluminense está bem perto de ser campeão brasileiro de 2010. Além de encarar um desmotivado Guarani, já rebaixado, o tricolor carioca tem um retrospecto interessante ao seu lado: desde que o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos, em 2003, todos os times que chegaram à última rodada na liderança acabaram concretizando a conquista do título no jogo final. Apenas em 2003 (Cruzeiro), 2006 e 2007 (São Paulo) o campeão não foi decidido na rodada derradeira.
- Brigando por uma vaga na Libertadores, o Botafogo pode também garantir sua melhor colocação no Brasileirão desde o título de 1995. Atualmente na 5ª posição, o Botafogo pode terminar em quarto lugar se vencer o Grêmio na última rodada. Em caso de derrota ou empate, pode descer uma posição se o Atlético-PR vencer seu confronto contra o Avaí, em Curitiba. Desde 1996, a melhor posição do Botafogo ao fim do Campeonato Brasileiro foi a quinta colocação, obtida em 1997. O clube chegou a ser o último colocado em 2002. Confira abaixo a colocação do Botafogo desde 1996:
1996: 17º
1997: 5º
1998: 14º
1999: 14º
2000: 20º
2001: 23º
2002: 26º
2003: Vice da Série B
2004: 20º
2005: 9º
2006: 12º
2007: 9º
2008: 7º
2009: 15º


