Por Silvério Machado
O título do Fluminense não se deu apenas no dia cinco de dezembro de 2010, com a vitória por 1 x 0 sobre o Guarani. Nem iniciou somente no dia nove de maio, quando estreou no Campeonato Brasileiro com derrota por 1 x 0 para o Ceará. O título do Brasileirão de 2010 não começou este ano. O início da arrancada tricolor se deu em 2009. Mais precisamente no dia 1º de novembro, quando venceu o Cruzeiro por 3 x 2 , em pleno Mineirão, após ir para o intervalo perdendo por 2 x 0. A partir de então, o Fluminense emplacou uma sequência de cinco vitórias e um empate, na última rodada contra o Coritiba, que livrou o time do rebaixamento, contrariando e envergonhando os matemáticos, que davam o descenso como inevitável, ou 99% certo.
A arrancada daquele time comandado por Cuca, e que é a base do time campeão brasileiro de 2010, teve um baque no princípio do ano, com a eliminação no Campeonato Carioca e a consequente demissão do treinador. Chegou Muricy Ramalho, técnico consagrado e tricampeão brasileiro, até então. A aposta era no título do Brasileirão. Veio a proposta da seleção para tirar Muricy do Fluminense. A diretoria bateu o pé, o técnico decidiu honrar o contrato e a torcida ganhou mais um ídolo: “Muricy guerreiro, ficou no Flu pra ganhar o Brasileiro” é um dos gritos mais ouvidos em jogos do tricolor.
Se há alguém que ainda questione o título do Fluminense, os números dão a dimensão de como a conquista foi justa: liderou o Brasileirão em 23 das 38 rodadas, ou 60% da competição; teve a melhor defesa - apenas 36 gols sofridos em 38 partidas, média de menos de um gol por jogo; terceiro melhor ataque, com 62 marcados, média de 1,63 por partida; melhor saldo de gols - 26 positivos; time que mais venceu - 20 vezes, ao lado do Cruzeiro; time que menos perdeu - 7 vezes,ao lado do Botafogo; campeão do primeiro turno (38 pontos) e terceiro melhor no segundo turno (33 pontos).
Uma conquista emblemática para tirar o grito de campeão brasileiro que estava entalado na garganta desde 1984. Há 11 anos, o Fluminense vivia a pior fase de sua centenária e gloriosa história, perambulando pelos castigados gramados da terceira divisão. Nos últimos anos, o clube foi se reconstruindo e vem de decisões importantes: Campeão da Copa do Brasil em 2007, vice da Libertadores em 2008, vice da Sul Americana em 2009 e campeão Brasileiro em 2010.
O gol de Emerson o coloca entre os heróis tricolores, ao lado de Mickey (autor do gol do título da Taça Roberto Gomes Pedrosa em 1970), Romerito (que fez o gol do título brasileiro em 1984), Roger (zagueiro, que fez o gol do título da Copa do Brasil de 2007). Não há como falar do título deste ano sem citar Dario Conca, argentino que jogou todas as partidas, fez nove gols e deu 18 assistências e que entra também no hall de craques idolatrados pelos torcedores, que, além dos listados acima, tem muitos outros, como Rivellino, Assis,Washington.
A tradição tricolor evocada em seu hino está cada vez mais em alta. Se pudesse fazer um pedido, seria de poder ler o que Nelson Rodrigues escreveria sobre esta conquista. Os seus textos sempre foram deleite de todos os torcedores, principalmente os do Fluminense, do qual ele compartilhava a paixão pelo tricolor. O único, como ele dizia. Os outros são times de três cores.
BATE BOLA
Com o fim do Campeonato Brasileiro, é comum que se faça a seleção dos melhores jogadores da competição. Vários veículos de imprensa e a CBF elegeram os que se destacaram no Brasileirão 2010. Segue abaixo a lista dos ganhadores dos principais prêmios do futebol brasileiro: o prêmio Craque do Brasileirão, da CBF; o troféu Armando Nogueira, do Globoesporte.com e o mais tradicional deles, a Bola de Prata da Revista Placar, prêmio concedido desde 1970. As únicas unanimidades da lista são o lateral Roberto Carlos, os meias Conca e Montillo e o atacante Neymar. Vale ressaltar que o argentino Conca, campeão com o Fluminense, foi eleito nas três premiações como craque do campeonato.
MELHORES DO BRASILEIRÃO
CBF:
Fábio (Cruzeiro); Mariano (Fluminense), Dedé (Vasco), Miranda (São Paulo) e Roberto Carlos (Corinthians); Jucilei (Corinthians), Elias (Corinthians), Montillo (Cruzeiro) e Conca (Fluminense); Neymar (Santos) e Jonas (Grêmio). Técnico: Muricy Ramalho (Fluminense).
Bola de Prata da Placar:
Fábio (Cruzeiro); Mariano (Fluminense), Chicão (Corinthians), Alex Silva (São Paulo) e Roberto Carlos (Corinthians); Jucilei (Corinthians), Elias (Corinthians), Montillo (Cruzeiro) e Conca (Fluminense); Neymar (Santos) e Jonas (Grêmio).
Armando Nogueira (globoesporte.com):
Victor (Grêmio); Gabriel (Grêmio), Dedé (Vasco), Alex Silva (São Paulo) e Roberto Carlos (Corinthians); Elias (Corinthians), D Alessandro (Inter), Montillo (Cruzeiro) e Conca (Fluminense); Neymar (Santos) e Ricardo Oliveira (São Paulo). Técnico: Renato Gaúcho.


