Por Silvério Machado
“Saio de cabeça erguida. Perdi muito dinheiro, mas troco o dinheiro pela felicidade com a minha família no Brasil.”
A frase acima foi dita pelo atacante Adriano à TV italiana, Sky Sports. Se alguém tivesse viajado para um lugar sem internet ou qualquer outro tipo de informação nos últimos dias, poderia pensar estar lendo notícia velha no noticiário do começo de março de 2011. O argumento de Adriano é o mesmo utilizado em 2009, quando não cumpriu contrato com a Internazionale de Milão. Chegou a fazer uma coletiva de imprensa anunciando que estava decidido a encerrar a carreira no futebol. Disse que não era feliz, que estava depressivo. Não se surpreenda se ele falar isso novamente. Naquela ocasião, Adriano acertou com o Flamengo após alguns dias. Não se surpreenda se isso também acontecer de novo.
Adriano Ribeiro Leite nasceu no dia 17 de fevereiro de 1982. Tudo foi muito precoce em sua carreira. Aos 18 anos estava integrando o time profissional do Flamengo e foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira principal. Um ano depois foi vendido para a Internazionale, sendo emprestado em sequência para Parma e Fiorentina com intuito de adquirir experiência. Deu certo. Em 2004, já reintegrado à equipe nerazzurri foi destaque da equipe na temporada. Pela seleção brasileira, foi o craque da Copa América, com direito a gol no último minuto da final contra a Argentina. Foi eleito o 6º melhor do mundo daquele ano. Em 2005, continuou em boa fase, conquistando o Campeonato Italiano e a Copa das Confederações, formando o quarteto mágico brasileiro juntamente com Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo. Foi o 5º melhor do mundo na eleição da FIFA.
Seu ocaso começou em 2006. Sentiu o baque com a morte do pai e não conseguiu render na Copa do Mundo da Alemanha. Virou mais notícia nos jornais de fofoca por conta de sua vida desregrada do que nas páginas esportivas. Foi afastado do time da Internazionale. Em 2008 foi emprestado ao São Paulo, onde fez gols e confusões em profusão. No retorno ao futebol italiano, não conseguiu retomar as boas atuações de outrora. Até que decidiu parar. Afirmou que não era feliz. E aí voltamos aos primeiros parágrafos deste texto.
No Flamengo fez aquilo que se esperava dele, tanto no campo como fora dele. Foi artilheiro e um dos líderes do time campeão Brasileiro de 2009. A torcida rubro-negra o exaltava. Chegou 2010 e o desinteresse que havia tomado conta da carreira de Adriano voltou. De novo foi bombardeado pela imprensa. Acusações de briga com a namorada, de envolvimento com o tráfico. Novamente teve reflexo dentro de campo. Foi coadjuvante de Vagner Love e um dos escolhidos como responsável pelo fracasso no Estadual e na Libertadores. Recebeu proposta da Roma e aceitou. Disse que tinha uma dívida a pagar no futebol italiano. Era o cenário perfeito: um “Imperador” em Roma. A torcida o recebeu com festa, mas Adriano pouco entrou em campo. No total, foram apenas oito partidas. Nenhuma completa. Feitos os cálculos, cada minuto de Adriano com a camisa da Roma custou quase R$ 11 mil. De novo era mais visto nas páginas de celebridades e até de policiais (foi pego em uma blitz com clara evidência de consumo de álcool). Marcou de se reapre
sentar ao clube italiano várias vezes até que a Roma desistiu. Anunciou a rescisão de contrato, abrindo mão do jogador, que também abriu mão de dinheiro para buscar a felicidade. Um busca eterna e que nunca parece alcançável.
Adriano tinha (tem?) tudo para ser um dos melhores jogadores do mundo, mas ele parece não querer. Milhares de garotos lutam todos os dias para chegar aonde ele chegou. Adriano simplesmente abre mão disso tudo. Não é só a história de alguém que está com saudades da família e do lugar de onde veio. Se fosse apenas isso, seria até elogiável. Mas é a história de quem não consegue se manter focado. De quem não consegue cumprir compromissos.
E Adriano está de volta ao Brasil, não necessariamente ao futebol brasileiro. Apostar em Adriano é correr riscos. Pode dar em um título importante ou em um fracasso retumbante. Aos 29 anos está de novo de volta. Adriano voltou. Será que o “Imperador” também?


