Uma das causas da violência existentes nas grandes cidades está intimamente ligada ao falho sistema carcerário que se observa em todos os estados da Federação.
Na maioria das penitenciárias ou cadeias públicas, onde há espaço, por exemplo, para 500 presos, existem seis ou sete vezes mais, o que faz com que elas se tornem verdadeiros depósitos humanos, e quando acontecem rebeliões, verdadeiros caldeirões em ebulição.
Além da superpopulação, onde presos de alta periculosidade se misturam com outros praticantes de crimes de menor expressão, o sistema não consegue inibir a corrupção e o tráfico de drogas, cujas ordens são dadas por comandos do crime organizado, partidas de dentro das próprias penitenciárias e cumpridas fielmente por criminosos ainda soltos no meio da sociedade.
Nesta semana, o governo anunciou que vai disponibilizar R$ 1 bilhão para ampliar prisões e construir novas penitenciárias no país. Os recursos serão distribuídos de acordo com a necessidade de cada estado, e o objetivo é zerar o déficit feminino e reduzir o excedente masculino nas penitenciárias e cadeias. Além da promessa de criar novas vagas, o governo promete a edição de decretos que permitam ao condenado a remissão da pena através do trabalho. O preso que estudar e trabalhar, por exemplo, poderá reduzir esses dias em sua pena.
Trata-se, portanto, de uma boa notícia, que com os recursos e vontade política, se colocados efetivamente em prática, poderão começar a desafogar um dos principais gargalos do sistema prisional brasileiro. As promessas estão feitas, e espera-se que os recursos, se realmente vierem, que sejam destinados para o alvo certo. Pelo menos é o que se espera.


