É sabido que os loucos perderam tudo, menos o raciocínio lógico, dizem os especialistas no assunto.
Quantos deles estão aí, livres e soltos no meio de nós, como criaturas normais.
Um desses loucos mexia num vidro, cheio de comprimidos, todo eufórico, num hospício famoso.
Essa euforia chamou a atenção do diretor do hospício.
Mesmo com reservas, o diretor perguntou ao louco:
- Explique-me o que há dentro desse vidro!
- Uma invenção minha que vale ouro, disse o louco.
- Se vale ouro, vamos explorá-la, pensou o diretor.
- Diga-me para que serve sua invenção.
- Ela serve para tudo, pois são pílulas de sabedoria.
- Diga-me como funcionam, insistiu o diretor.
O louco disse que era só tomar uma para abrir a mente e passar a entender tudo.
- Se é assim, quero experimentar uma, falou o diretor.
Tirando uma do vidro, o louco entregou-a ao diretor que colocou na boca.
Enquanto esperava, o louco parecia feliz.
Três minutos após, o diretor cospe tudo no chão.
O louco pergunta, então, o que tinha acontecido.
Com cara de nojo, o diretor respondeu:
- Aquele comprimido é merda pura, seu maluco.
- Mas isto é incrível! exclamou o louco.
- Por acaso não é verdade? pergunta o diretor.
- Realmente, o senhor tem razão, disse o louco.
- Acontece que a pílula fez efeito, gritou o maluco. Meio confuso, o diretor ainda pergunta:
- O que leva você a pensar assim?
Sem titubear, o louco responde:
- Tendo adivinhado de que era feito, o senhor mostrou grande sabedoria.
- Realmente, mas isto é óbvio, é elementar.
- A pílula teria falhado se o senhor não descobrisse nada.
Restou ao diretor, diante de tal explicação, deixar a pílula de lado e ir correndo lavar a boca, que tinha um forte cheiro de cocô de um inventor maluco.


