A Notícia

Terça
22 de maio de 2012

A vaca louca

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Por Marcos Loures

É sabido que há muitos anos bois e vacas que iam ser abatidos eram levados pelas ruas da cidade em direção ao Matadouro Municipal.

Sempre havia entre eles um animal bravio, que avançava contra as pessoas, trazendo pânico e medo. As crianças, então, chegavam a fazer xixi na cama quando sonhavam com tais animais soltos nas ruas. Muitos foram chifrados ali mesmo na Praça João Pinheiro, como ainda nos lembramos.

Isto acontecia uma ou duas vezes por semana e era um espetáculo à parte, perigoso e hilariante.

Naquele tempo, a Banca de Jornais ficava num prédio na Praça João Pinheiro, sob o comando do Sr. Emílio Mannarino, forjado nos campos da Calábria, com seus cento e tantos quilos de puros músculos.

Havia, separando a banca da calçada, uma porta de aço, sanfonada, à prova de bois e vacas ferozes.

Aquele dia foi diferente, pois uma vaca nelore, enorme e feroz, estava sendo levada para o matadouro.

Ao passar perto da banca resolveu atacar o Sr. Emílio, que foi pego de surpresa.

Lembrando-se dos tempos da Itália, ele se abraçou ao pescoço da vaca e a luta começou. Ele apertava a garganta da fera e a vaca, levantando a cabeça, jogava-o para cima.

Gente que tentava ajudar era afastada pelos coices e chifradas da vaca louca.

Respirando com dificuldade, ela foi amarrada pelo pescoço e puxada para fora da banca.

Imediatamente após, Sr. Emílio soltou a vaca e fechou a banca, encerrando o ataque do animal.

Assim, naquele dia, os muriaeenses tiveram a sorte de ver como agia um calabrês diante do perigo que representava uma vaca louca, solta pelas ruas da cidade em plena praça principal.