Por Marcos Loures
Quando aquele pão-duro recebeu a visita do amigo de infância, a conversa tomou um rumo estranho.
- Uma pergunta quero lhe fazer, disse o visitante.
- Estou às suas ordens!
- Tivesse você seis carros, você me daria um deles?
- Estou certo que sim, disse o pão-duro.
- Daria para mim um avião, se tivesse cinco?
- O meu prazer seria grande em poder fazê-lo, disse o amigo pão-duro.
Um instante depois o visitante comenta:
- Ouvir isto muito me agrada.
Uma nova pergunta completa a frase:
- Na hipótese de você ter quatro fazendas, você me seria capaz de me dar uma delas?
- Isto eu também faria, sem qualquer dúvida!
- Vamos supor que você seja dono de três iates de alto luxo, continuou o visitante, voltando a perguntar:
- Em tal caso, também me daria um deles?
- Realmente, eu lhe daria o mais luxuoso deles.
- Sendo assim, creio poder contar com você de maneira incondicional, disse o amigo visitante.
- Os amigos foram feitos para isto, disse o pão-duro.
- Estou encantado com as suas palavras, disse o amigo.
- Minha sina é ajudar os amigos, completa o pão-duro.
- Mesmo assim vou lhe fazer uma pergunta objetiva, falou o visitante.
- Estou ouvindo com toda atenção, falou o pão-duro.
- Uma pergunta nada fácil, disse o amigo.
- O que você quiser saber eu respondo, disse o outro.
- Lembrando nossa amizade, se você tivesse mil reais, você me daria duzentos reais?
- Há coisas difíceis de dizer, mas sou obrigado a dizer que não lhe daria os duzentos reais.
- Agora você pode explicar por que não me daria este dinheiro?, perguntou decepcionado o amigo visitante.
- Realmente, não lhe daria o dinheiro, porque tal importância eu tenho comigo, justificou-se o pão-duro.


