Por Marcos Loures
Em toda cidade do interior, a troca de padre, quase sempre, alterava a rotina dos habitantes locais.
Sendo assim, quando transferiram o vigário daquela cidadezinha, substituindo-o por outro, mais exigente, algumas mulheres se reuniram para uma tomada de posição.
Tendo, muitas delas, “culpa em cartório”, combinaram que, na confissão, em vez de dizerem que traíram o esposo, diriam que tinham “escorregado na calçada”.
Assim foi tratado e assim foi feito.
Meses depois, após ouvir muitas confissões, o padre ficou preocupado e foi falar com o prefeito.
- Pelo fato de que muitas mulheres estão escorregando muito nas calçadas, venho pedir uma providência do senhor, antes que alguma se machuque gravemente.
Ao ouvir aquilo e já sabendo da combinação feita pelas mulheres, o prefeito sorriu, mas prometeu agir.
Devido àquele sorriso, o padre foi perdendo a paciência e completou:
- O assunto é sério e não é motivo de risadas.
Em virtude da bronca, o prefeito conteve o riso e perguntou:
- Mas quem anda escorregando mais, eles ou elas?
Sem entender a razão da pergunta, o padre insistiu no assunto enquanto o prefeito voltou a rir.
Era visível o constrangimento do padre, que ainda teve forças para reagir:
- Urge que providências sejam tomadas, insistiu o padre.
- As mesmas serão tomadas, disse o prefeito.
- Basta ouvir o que elas dizem na igreja para saber que algo está errado, falou o sacerdote.
- Com certeza o senhor ri é porque não sabe o que está acontecendo. A sua mulher, só nesta semana, escorregou três vezes; e a sua filha mais velha, uma porção de vezes. E passe bem!


