Por Marcos Loures
Se há uma atividade exótica na criação de galinhas poedeiras, esta é aquela que procura “sondar” se a galinha irá ou não botar o ovo naquele dia.
O método consiste em, ao amanhecer, enfiar o dedo mindinho na cloaca da galinha e verificar se no interior da penosa há um ovo em formação.
Uma a uma elas são examinadas para verificar quantos ovos serão colhidos no fim do dia.
Foi isso que ensinaram a milhões de crianças, em fazendas, sítios e quintais de todo o Brasil.
A cena era comum naquela casa da rua São Pedro, onde a família criava galinhas de raça aos montes.
Na função de “sondar” se haveria ou não ovos naquele dia, filhos e filhas iam se revezando a cada dia.
Devido à disparidade de tamanho dos filhos, as galinhas tinham horror quando a mais velha das filhas era a encarregada de fazer o serviço.
Era que a moça tinha um dedo enorme e machucava muito na hora do “exame”.
Sempre que a moça “grandona” aparecia, as galinhas já começavam a tremer de medo.
Era inevitável o sofrimento, pois o exame tinha que ser feito todos os dias!
Uma maneira de escapar do exame era fugir para o morro e se esconder no mato.
Já a filha mais nova do casal, por ter o dedo mais fino, era recebida com alegria pelas galinhas.
E a vida ia passando entre tantas emoções.
Infelizmente, se uma galinha deixasse de botar, ia para a panela.
- Tudo bem, dizia a galinha garnizé, a única que escapava dos exames periódicos.
Os ovos dela, por serem muito pequenos, não tinham comprador e, para acabar com tamanho sofrimento das aves, Dona Ambrosina já encarregou sua filha, Naninha, de comprar um aparelho de ultrassonografia para examinar as galhinhas, em substituição ao velho método acima descrito.
Coisas do interior.


