Consta que Patrício, para se casar, teria escolhido uma moça muito decidida, tida como brava e filha de um coronel do interior.
Terminado o casamento, colocou a mulher na garupa de uma mula e lá foram os dois, estrada a fora, em direção ao lar, doce lar, local escolhido para passar a ‘lua de mel’ e morar para sempre.
Logo após caminharem alguns metros, a mula dando sinais de fraqueza, mancou e quase derrubou o casal.
O homem parou, esperou a mula descansar e disse, no ouvido do animal:
- Primeira!
Logo a seguir, deu a partida e continuaram a cavalgar pela estrada empoeirada.
Uns dez minutos depois, a mula voltou a mancar e parou no meio da estrada.
Patrício desceu da sela, aguardou uns minutos e, após montar de novo, deu a partida, tendo falado bem alto, no ouvido do animal:
Segunda!
Um quilometro depois, já extenuada, a besta tropeça e mancando, tenta caminhar.
Patrício desce, tira a mulher da garupa da mula e, com uma arma, dá um tiro no ouvido do animal, matando-o.
Diante daquilo, a noiva se irrita e, como era mesmo brava, passa ‘um sabão’ no marido que ouve tudo, com aparente resignação.
Quando a mulher termina de falar, Patrício convida-a para ir caminhando para casa, mas antes, chega bem perto do ouvido e avisa:
- Primeira!


