Ao conversar com um senhor, ali na Avenida JK, descobri que ele, há temos, trabalhou como coveiro no cemitério da cidade.
Muito bem falante, garantiu-me ele que a pior época para trabalhar no cemitério é o tempo de QUARESMA!
O fato é que, na QUARESMA, os espíritos ficam alvoroçados e aparecem as assombrações, especialmente depois da meia noite!
Sem citar nomes, contou-me ele que tinha um AJUDANTE, um jovem muito forte e destemido que sempre zombava dos mortos e das almas do outro mundo, pois não acreditava em nada, nem em outra vida, após a morte.
Ele, como coveiro, tentava convencer o ajudante de coveiro a respeitar os defuntos, mas tudo em vão!
Um dia, ao varrer os túmulos, o rapaz achou um belo cordão de ouro, misturado com a terra seca de uma sepultura vazia e, sem o menor escrúpulo, colocou o cordão no pescoço, em vez de entregá-lo aos padres que zelavam o cemitério.
Segundo o coveiro me disse, era tempo de QUARESMA e aquilo deve ter irritado os espíritos que, segundo ele, não suportam desaforo!
Durante bom tempo, o rapaz andou com o cordão pendurado no pescoço e chegou a colocar no mesmo, o retrato de sua namorada...
Eram inúteis as palavras de advertência dirigidas ao rapaz que, como disse, não tinha medo de nada!
Foi assim passando o tempo até que, numa Sexta-Feira Santa, o moço não foi trabalhar.
Ele, que nunca havia faltado, foi matar o serviço logo num dia santo!
Indo procurar seu ajudante, nosso amigo também não o encontrou em casa e em lugar algum da cidade.
Todos os parentes, então, passaram a procurá-lo, acabando por encontrá-lo, lá pelas bandas de Cachoeira Alegre, totalmente perdido, sem saber seu nome e até, onde morava.
O rapaz foi levado ao hospital e só melhorou quando, para tomar banho, tiraram do pescoço dele, aquele cordão de ouro, com o retrato da namorada!
Sem nada dizer, ele deu o cordão de presente para o primeiro que encontrou ela frente e, só assim, voltou a ter paz de espírito...


