A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

"Boca calada não entra mosca"

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Sempre que se fala em interior, lembramos que seus habitantes guardam enorme sabedoria.

Em um sítio, morava um caboclo que criava porcos e que, um dia, foi visitado por um homem da cidade grande.

 - Soube que os criadores de porcos costumam “batizar”seus animais com nomes curiosos, é verdade?

Enquanto alimentava os porcos, o caipira respondeu que sim, mas fez uma ressalva:

Nem todos os animais têm nome, só os mais velhos.

Tendo visto um porquinho solto, o visitante falou:

 - Isto é bom, mas eu queria dar um nome àquele porquinho ali, é possível?

Rapidamente, o caipira concordou e quis saber que nome o visitante daria ao porquinho.

No mesmo instante o homem falou que o nome por ele escolhido era Ocê.

Ao ouvir a provocação, o caipira se calou enquanto o homem continuou:

 - Pode o amigo me dizer o nome daquele porcona ali?

 - Ela não é porca e, sim, um porco macho, esclareceu o caipira.

Lembrando que todos os animais tinham um nome, o visitante insistiu com a pergunta.

Em virtude da insistência, o caipira explicou:

 - Um instante só que vou ver o nome dele para você.

Mexendo em um caderno onde havia vários nomes, o caipira voltou a falar.

 - Acredite, mas não achei o nome dele aqui.

Repetindo que o poro era macho, disse que não tinha nome, porque era pai d’Ocê.

Recebendo  a resposta como provocação, o visitante perguntou, ao ver passar uma porca bem nutrida:

 - E aquela porca, qual o nome dela?

Pedindo licença para consultar o caderno, disse o caipira:

 - Infelizmente também não “ponhei” nome nela, porque ela é mãe d’Ocê.

O visitante, então, entrou no carro e voltou para a cidade, com a certeza de que não valia aa pena mexer com quem estava quieto.