Sempre que se fala em interior, lembramos que seus habitantes guardam enorme sabedoria.
Em um sítio, morava um caboclo que criava porcos e que, um dia, foi visitado por um homem da cidade grande.
- Soube que os criadores de porcos costumam “batizar”seus animais com nomes curiosos, é verdade?
Enquanto alimentava os porcos, o caipira respondeu que sim, mas fez uma ressalva:
Nem todos os animais têm nome, só os mais velhos.
Tendo visto um porquinho solto, o visitante falou:
- Isto é bom, mas eu queria dar um nome àquele porquinho ali, é possível?
Rapidamente, o caipira concordou e quis saber que nome o visitante daria ao porquinho.
No mesmo instante o homem falou que o nome por ele escolhido era Ocê.
Ao ouvir a provocação, o caipira se calou enquanto o homem continuou:
- Pode o amigo me dizer o nome daquele porcona ali?
- Ela não é porca e, sim, um porco macho, esclareceu o caipira.
Lembrando que todos os animais tinham um nome, o visitante insistiu com a pergunta.
Em virtude da insistência, o caipira explicou:
- Um instante só que vou ver o nome dele para você.
Mexendo em um caderno onde havia vários nomes, o caipira voltou a falar.
- Acredite, mas não achei o nome dele aqui.
Repetindo que o poro era macho, disse que não tinha nome, porque era pai d’Ocê.
Recebendo a resposta como provocação, o visitante perguntou, ao ver passar uma porca bem nutrida:
- E aquela porca, qual o nome dela?
Pedindo licença para consultar o caderno, disse o caipira:
- Infelizmente também não “ponhei” nome nela, porque ela é mãe d’Ocê.
O visitante, então, entrou no carro e voltou para a cidade, com a certeza de que não valia aa pena mexer com quem estava quieto.


