Ouve-se muitos pais falarem: “Meu filho sabe tudo sobre computador”, ou “Meu filho é super inteligente e tranqüilo, nem gosta de sair, prefere mesmo é ficar com os amigos no bate-papo. Ainda bem, pois, nas ruas a violência anda solta”.
A maior parte deles fica feliz por não enfrentarem o que os pais dos anos 90 enfrentaram: meninos na rua, nos barzinhos, com a galera curtindo um Rock. Porém, mal sabem que pelo menos aqueles pais sabiam onde estava o perigo. Hoje, pode estar em qualquer LanHouse ou WWW e não é uma violência sangrenta e brutal e sim silenciosa e nem sempre virtual.
Crianças lidam com o computador como máquinas que fazem parte do seu mundo, e o resultado pode ser uma juventude arrogante e desnorteada. Será que este forte envolvimento prepara a criança para o futuro?
Saber o funcionamento de uma máquina não garante necessariamente ascensão social, nem para um analista de sistema. Pois, as atribuições de um profissional desta área vão além do seu conhecimento técnico.
Atividades em grupo e ao ar livre reduzem o desastre físico e mental e possibilitam a construção de indivíduos capazes de interferir no mundo em que são inseridos. Além disso, as crianças têm tendências a gostar de coisas proibidas. Lembram-se, daquele mesmo filho quietinho que é motivo de orgulho, pode estar, nesse momento, entrando em páginas proibidas ou com conteúdo nada recomendável. Temos ainda, o famoso Orkut que é composto por vezes de comunidades extremamente preconceituosas, e podem em alguns casos, afastar as pessoas de grupos sociais reais, pois, elas tendem a ir para os virtuais, onde não se conhece ninguém, além de falar sobre sua vida com quem nunca viu. São mudanças que levam a gostar do mundo anônimo.
Com o desejo de oferecer aos filhos o conforto de que não dispuseram, os pais compram computadores, câmeras digitais e toda uma parafernália que acreditam ser capaz de substituírem a ausência deles na construção da identidade dos filhos.
A tecnologia, a internet como tudo na vida deve ser usada com responsabilidade, pois podemos ter crianças que fazem um uso saudável da TV e da internet e crianças que não o fazem. Cabe a nós, adultos filtrarmos as informações.


