A Notícia

Terça
07 de fevereiro de 2012

Entrevista exclusiva

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Muriaeense conta a experiência durante o terremoto no Haiti

Por Magno Lopez

Uma lição de amizade e união. É assim que o sargento muriaeense, Marcos Fernando Lorêdo de Souza, classifica sua missão no Haiti, bem como a ajuda prestada à população do país, durante o terremoto que destruiu grande parte da capital Porto Príncipe.

O muriaeense ficou no Haiti quase sete meses. A viagem de volta estava marcada para o dia 16 de janeiro, mas por causa da catástrofe natural foi adiada. Há sete anos no exército, o sargento serve no 13º Regimento da Cavalaria Mecanizado de Pirassununga.

Para a mãe do militar, Maria Rita Lorêdo, receber o filho de volta foi como se todos os problemas tivessem acabado. "Como mãe, não queria que o meu filho estivesse lá, mas pelo conheço dele: era o homem certo no lugar certo. Sei que ele teria, como teve, a coragem de ajudar aquelas as pessoas".

O muriaeense retornou para o município no domigo, e na terça-feira (9) recebeu a reportagem do Jornal A Notícia para uma entrevista exclusiva.

A Notícia: O que você fazia no momento em quem o terremoto aconteceu?

Sgt. Lorêdo: Na hora do acontecimento eu estava junto com o sargento Eucário, no grêmio. Estávamos jogando sinuca quando tudo começou a tremer. Rapidamente percebemos o terremoto e resolvemos sair do local. Mas na nossa base militar não havia muito problema de desabamento, uma vez que as instalações são formadas por contêineres, por isso, estes só sacudiram. Mas, não conseguíamos ficar em pé porque a terra tremia bastante.

A Notícia: Assim que passou o tremor quais foram as suas primeiras ações?

Sgt. Lorêdo: Começamos a nos reunir no pátio de formatura da base, onde recebemos ordens do comandante. Em seguida, começaram a chegar muitos haitianos feridos. Foram uns três dias ajudando intensivamente na remoção das pessoas e ao mesmo tempo socorrendo os militares que haviam sido feridos, bem como na busca por desaparecidos. Só conseguíamos nos locomover dentro do país com os nossos veículos blindados, pois havia muitas casas desabadas no meio da rua. Víamos várias pessoas mortas, um verdadeiro cenário de caos. Para ajudar, fizemos também a distribuição de alimentos e água.

A Notícia: O objetivo da missão brasileira é pacificar o Haiti. Como ficou a segurança após o terremoto?

Sgt. Lorêdo: Acredito que não houve muita alteração, mesmo com a queda do presídio e com os presos nas ruas. Entretanto, a própria população denunciava se alguém tentasse cometer alguma infração. É uma cultura deles, porque o povo haitiano sofreu muito na mão dos bandidos. Quando algum crime era constado o criminoso era preso.

A Notícia: Como era a sua relação com os militares brasileiros que morreram?

Sgt. Lorêdo: Conhecia grande parte daqueles que morreram. Eles também ficam na base com os outros militares. Entretanto, no dia do terremoto eles ocupavam um ponto estratégico construído de alvenaria. O local desabou e matou os brasileiros.

A Notícia: O que mais te comoveu nesses dias no Haiti?

Sgt. Lorêdo: Percebi que nós somos mais fortes do que imaginamos. Temos que aproveitar que estamos bem e com boa saúde para ajudar quem está necessitado. Presenciei muita coisa que jamais imaginei na vida, contudo, não adiantava me entregar àquela situação, era preciso agir em prol do próximo. O momento que mais me marcou foram os médicos ajudando os feridos, tudo isso marcado pelo espírito de união.

A Notícia: Qual a lição que você tira dessa experiência?

Sgt. Lorêdo: O espírito de amizade e de ajuda ao próximo. Quando ficamos longe de casa, nos apegamos muito às amizades, criamos vínculos e vivemos como se fossemos irmãos. O clima era muito bom, pois todos conversavam, brincavam e falam das famílias. A união para solucionar os problemas de quem necessitava também me chamou atenção.

A Notícia: Você pretende voltar ao Haiti em outra missão?

Sgt. Lorêdo: O país é um bom lugar, mas, é muito bom também estar com a família. Acho que fiz a minha parte, assim como todos os companheiros que estavam lá. Agora quero curtir a minha família, a minha namorada e o Brasil, que é um país maravilhoso. Contudo, quem sabe um dia eu volte ao Haiti.

 

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