A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

ALCYR PIRES VERMELHO

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Nascido em 08 de janeiro de 1906
Falecido em 24 de maio de 1994

 

Por João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira – Memorial Municipal de Muriaé

Compositor e instrumentista, nasceu em Muriaé, Minas Gerais. Aprendeu piano, primeiramente, com a mãe e, depois, com o professor Amadeu Pacífico, que lhe conseguiu emprego de pianista no cinema de Muriaé. Começou a tocar em festas, no estilo jazzístico, que era moda na época. Aprovado em um concurso para bancário do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais - Minasbank - foi transferido para Carangola onde organizou uma orquestra.

Depois de três anos em Carangola, trabalhou, ainda como bancário, em Rio Casca, Cataguases e Ubá, Minas Gerais, onde conheceu Ary Barroso e sua tia Ritinha, com quem teve aulas de música. Alcyr e Ary atuavam nos meios artísticos de Ubá: Alcyr, como pianista dos clubes carnavalescos das Opalas e dos Plutões, frequentados pela classe média local; e Ary era a atração do Clube dos Ubaenses, da classe mais abastada. Alcyr mudou-se para o Rio de Janeiro em 1929, sendo aprovado em concurso para trabalhar no Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais - Bandústria. Aproxima-se do meio artístico carioca em 1933, conhecendo Lamartine Babo, que muito admirava, fazendo com ele para o carnaval de 1934 sua primeira música, a marchinha DÁ CÁ O PÉ, LOURA, gravada pelo próprio Lamartine na RCA Victor. Com Walfrido Silva, compôs seu primeiro grande sucesso, o samba O TIC-TAC DO MEU CORAÇÃO, gravado por Carmen Miranda em 1935. Três anos depois, Carmen gravou sua marcha PARIS (parceria com Alberto Ribeiro), dedicada aos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1938. No carnaval de 1939, sua marcha A CASTA SUZANA (parceria com Ary Barroso) teve grande êxito com a gravação de Déo. Para o carnaval de 1940, mais um grande sucesso: a marcha DAMA DAS CAMÉLIAS (parceria com João de Barro), gravada por Francisco Alves, na Colúmbia, e vencedora do concurso instituído pela então Prefeitura do Distrito Federal. Fora do repertório carnavalesco, Alcyr comporia, ainda em 1940, com João de Barro e Alberto Ribeiro, o samba-exaltação ONDE O CÉU AZUL É MAIS AZUL que, embora de excelente qualidade, seria superado por outra composição do mesmo gênero da dupla Alcyr Pires Vermelho - David Nasser, gravada em 1941 por Francisco Alves, na Odeon: CANTA BRASIL. O grande sucesso desta música traria alguns aborrecimentos para Alcyr, sendo o principal deles com Ary Barroso, que o acusou de plágio de Aquarela do Brasil. O maior sucesso da dupla Alcyr - Lamartine Babo viria a ser uma valsa: ALMA DOS VIOLINOS, gravada por Moraes Netto em 1942, na Odeon.

Alcyr Pires Vermelho foi um compositor de inúmeros sucessos, entre os quais destacamos: SANDÁLIA DE PRATA (parceria com Pedro Caetano) e ESMAGANDO ROSAS (parceria com David Nasser), ambas gravadas por Francisco Alves em 1941; A DAMA DE VERMELHO (parceria com Pedro Caetano), lançado por Francisco Alves em 1943; BARQUEIRO DO SÃO FRANCISCO (parceria com Alberto Ribeiro), gravado por Dick Farney em 1946; LAURA (parceria com João de Barro), gravado por Jorge Goulart em 1957, entre outros. Aprovado em concurso para funcionário do antigo Instituto de Aposentadoria e Previdência dos Bancários - IAPB - permaneceu neste emprego durante trinta e três anos, tendo nele se aposentado. Dedicou-se à pintura, tendo feito exposição de seus quadros no saguão do Hotel Nacional do Rio em 1977. Em 1985, foi lançado um LP promocional da Petrobrás, "Alcyr Pires Vermelho - 50 Anos de Música", destacando-se seus maiores sucessos interpretados por vários artistas. Tinha orgulho de ser muriaeense e não perdia oportunidade de comentar isso. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro. Como justa homenagem, leva seu nome a Lei Municipal de Incentivo à Cultura.