A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DE MURIAÉ

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O "Nomes da Nossa Terra" estará de férias durante um período, mas, voltará em breve. A coluna deixa com vocês, leitores, a história de Muriaé, brilhantemente assinada pelo Professor Adellunar Marge.

 

NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DE MURIAÉ

L.W.Von Eschwege in "Pluto Brasiliensis", Cia. Editora Nacional, faz menção a atividades agrícolas de cana-de-açúcar, quando registra, em carta-mapa, o Rio Robinson Crusoe, na primeira década do século XIX. O príncipe Maximiliano, em registro de sua notável viagem, fez também referência à produção de açúcar e a existência de engenhos juntos ao "pequeno Rio Muriaé. Esses relatos deixam claro que muito antes de Guido Marliére ter nomeado Constantino Pinto primeiro "Diretor dos Puris" aqui em nossa região, já existiam fazendas desenvolvidas.

Mas, foi nos idos de 1819 que Constantino José Pinto, nomeado pelo oficial da Diretoria Geral dos Índios da Província de Minas Gerais, Guido Tomaz Marlière, chegou a nossa região. Vinha, Constantino Pinto, com a missão de civilizar e preparar as condições para a catequização dos índios Purís que aqui habitavam.

Desceu pela confluência dos ribeirões Robinson Crusoe e João do Monte, formadores do Rio Muriaé e dali se dirigiu até o local onde se ergue hoje a Igreja do Rosário, fundando, ali, o aldeamento dos índios e demarcando as terras destinadas ao plantio para o sustento dos silvícolas. Nascia São Paulo do Manoel Burgo.

Por aqui passariam a aportar extratores de madeiras-de-lei e principalmente de plantas medicinais que aqui chegavam em busca de raízes de ipecacoanha, chamada vulgarmente de poaia. O povoado cresceu rapidamente, a princípio, com uma só rua ao longo do rio, dando origem ao "porto", à "barra" e à "armação", em razão do rio que margeavam, depois, disseminando o seu casario em todas as direções.

Em 1841, já era Distrito do município de São João Batista do Presídio (atual Visconde do Rio Branco) e subordinado, eclesiasticamente, à Santa Rita do Glória (atual Miradouro). Em 16 de maio de 1855, pela lei no. 724, já agora com o nome de São Paulo do Muriaé, desmembra-se de São João Batista do Presídio, nos seguintes termos:

"Francisco Diogo Pereira Vasconcelos, Presidente da Província de Minas Gerais. Faço saber, etc...

Art. 1 - Fica elevada à categoria de Vila a Freguesia de São Paulo do Muriahé, com a mesma denominação.

Art. 2 - O seu município compreenderá às Freguesias de São Paulo, de Nossa Senhora do Glória e da Conceição dos Tombos de Carangola.

Art. 3 - Os habitantes deste município ficam obrigados a prontificar a sua custa à respectiva Casa da Câmara e à cadeia.

Art. 4 - Logo que houver casa para as sessões da Câmara e do Jury, será instalada a Nova Vila.

Art. 5 - Este município pertencerá à Comarca de Muriahé.

Art. 6 - Ficam revogadas as disposições em contrário."

A Vila de São Paulo do Muriahé seria elevada à condição de cidade pela lei no. 1257, de 25 de novembro de 1865. Mas, foi pela lei no. 843, de 7 de setembro de 1923, que teve sua denominação reduzida para Muriaé.

As últimas décadas do séc. XIX alcançaram o município de Muriaé já como grande produtor de café, condição que manteve até meados do século XX. A monocultura cafeeira foi a primeira grande promotora do desenvolvimento econômico do município. Os coronéis, proprietários das grandes fazendas produtoras, representavam, não só a elite econômica da região, como também sua expressão política, com forte influência no cenário político do estado e do país. Era o "ouro verde" promovendo o desenvolvimento da nossa região e do país. A riqueza, no entanto, concentrava-se nas mãos de uns poucos, não promovendo benefícios às extensas camadas populacionais que aumentavam a cada ano.

A crise de 1929, com o "cracking" da Bolsa de Valores de Nova Iorque, viria afetar profundamente a economia do país e do nosso município. O café, sustentáculo da nossa economia durante décadas, perdia o seu valor como produto de exportação, abalando a nossa estrutura econômica. Mas, a economia do nosso município e da região voltaria a crescer durante a fase getulista, principalmente, após a abertura da estrada Rio-Bahia, inaugurada por Getúlio Vargas em visita a nossa cidade em 1939. O grande fluxo de veículos trazido pela nova rodovia inseriu Muriaé entre as cidades de maior progresso da região. A monocultura cafeeira cedia espaço a outras atividades econômicas.

A produção leiteira intensificou-se, chegando Muriaé a ocupar, durante muitos anos, lugar de destaque no ranking nacional, em virtude, principalmente, da apuração do rebanho com seleção de matrizes e avanços técnicos no manejo.

A mecânica automotiva atingia grande expressão a partir da década de 60 do século passado, sendo referência nacional no ramo da retífica de motores. Muriaé diversificara a sua economia.

A partir da década de 80, uma outra grande e promissora atividade surgia em nosso município: a indústria de confecções. O espírito empreendedor e ousado do empresário muriaeense acompanhou o avanço tecnológico do ramo, dotando nossas indústrias de confecções dos mais modernos processos de fabricação, facilitando as exportações, inclusive, para países do Mercosul.

Hoje, com cerca de cem mil habitantes e uma economia diversificada, Muriaé ocupa lugar de destaque entre as vinte maiores cidades do estado, transformando-se em um pólo de referência econômica, cultural e, especialmente, na área da educação superior, em toda a Zona da Mata.