Seu nome já foi Praça das Dores. Quem diria? Mas, ficou mesmo conhecida como a "Praça dos Amores". Ali, criou-se o termo "rodar praça" e os jovens de nossa cidade "rodavam a praça".
"Rodar praça" não se resumia em um simples andar ao redor da praça. Era muito mais do que isso. Os homens, rodando em um sentido e as mulheres em outro, arquitetavam planos para os encontros. Todo um jogo de seduções fazia parte do contexto. O "flirt" era o olhar profundo, olhos nos olhos, cada vez que os olhares se cruzavam (duas vezes a cada volta na praça) e era o sinal inicial do interesse mútuo. A partir daÃ, estava aberta a possibilidade do encontro, que se dava, quase sempre, junto ao relógio.
Não se usavam os termos "azarar" ou "ficar". Flertava-se e se namorava e a Praça João Pinheiro era cúmplice nesse jogo de sedução.
Quantos romances ali se iniciaram e quantos olhares, ali também, jamais encontraram respostas e se perderam no horizonte da vida, sozinhos... apesar da praça.
A praça era um instrumento de vida e o crescimento interior, mas, não podia ser responsabilizada por nossos sucessos ou fracassos no amor. Era apenas um instrumento, cujo efeito catalisador dava inÃcio à s emoções, o resto era por conta da criatividade de cada um.
Os carnavais da Praça João Pinheiro foram inesquecÃveis. Munidos de lança-perfume, os rapazes perfumavam as costas descobertas das moças (só os mal-educados atingiam os olhos) e elas respondiam com um "fricote", num misto de susto e alegria. Susto pelo impacto do éter frio e alegria pela escolha. Serpentinas e confetes completavam a alegria daquela João Pinheiro de outrora, onde se molhava a palavra nos saudosos bares "Café jardim" e "Centenário", de tantas noitadas alegres.
E os bazares? O René, o São Cristóvão, a Futurista, a Barateira, a Casa Gusman, a Sedutora, a Casa Paulista, todos, com fazendas multicoloridas, exibindo nas calçadas peças de pura seda, tricoline, casimira, percal, chapéus Prada, tudo em sintonia com o gosto mais refinado e recente da capital federal. E os engraxates, com uma lÃngua estranha de fonemas invertidos, que ganharam até reportagem em jornal da capital na década de 50.
De uma das extremidades da praça, a nossa ZYD-2, Rádio Sociedade Muriaé, em seus 1470 kilociclos, comandava o show de notÃcias na voz do Almir ou nas jornadas esportivas de domingo com o saudoso José Pires.


