A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

JACOBUS ADRIANUS SIGFRIDUS PRINS

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Há cerca de um ano, faleceu Michael Jackson, e naquela oportunidade, escrevi, aqui neste espaço, sobre a difícil tarefa das celebridades na convivência diária com a fama.
Só para relembrar, se me permite o leitor, abordamos o fato de as pessoas conhecerem o sucesso, a fama e o dinheiro fácil, sem que isso seja suficientemente administrado, levando o indivíduo, na maioria das vezes, a se divorciar de valores básicos da convivência para com a família e a sociedade, fazendo-o  interromper os rituais de comunicação mais simples, como o olhar, a escuta, o calor humano e o respeito ao próximo.

Estamos testemunhando nestes dias o caso do jogador Bruno, goleiro do Flamengo, preso com outras pessoas de seu convívio, sob a acusação de assassinato de sua ex-namorada, cujos relatos de investigadores até aqui, se confirmados, mostra o desenho de um ato criminoso estarrecedor.

Mas, o que chama a atenção no episódio, além da frieza e do crime bárbaro, é a falta de estrutura de algumas pessoas para lidarem com a fama  e o dinheiro, quando estes lhes vêm de forma repentina.

Este tipo de trajetória tem sido comum entre os jogadores de futebol no Brasil. Normalmente são pessoas que têm as suas raízes nas favelas, onde falta-lhes tudo na infância e na adolescência. Falta-lhes a estrutura familiar, a educação,  a religião, e quando chega a fama repentina, o assédio de fãs e o dinheiro fácil, se perdem dentro de uma sociedade consumista, onde os valores morais andam invertidos. Ao se acharem poderosos pela fama, ao se acharem acima da lei, do bem e do mal pelo poder do dinheiro, inicia-se, invariavelmente, um processo de auto-destruição, e não são muitos os que conseguem se manterem em evidência.
 
É preciso que os clubes do futebol brasileiro cumpram  também o seu papel social de formar esses jovens na base, não só para o futebol, mas principalmente, ao retirá-los do meio em que vivem, sem a estrutura adequada, que não seja apenas para explorar-lhes o seu talento. É preciso prepará-los psicologicamente para o sucesso.