A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

O que resta ao torcedor?

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Bastou uma convocação e um jogo internacional pela seleção brasileira, para que os direitos federativos de Neymar, jogador dos Santos, de apenas dezoito anos, passasse a valer no mercado internacional, a importância de trinta e cinco milhões de euros - cerca de setenta e oito milhões de reais-  que é quanto um clube inglês, o Chelsea, se dispôs a pagar para contar com o seu futebol, seus  dribles e seus gols.

Já tivemos a oportunidade de escrever aqui neste espaço sobre o futebol e a paixão que ele desperta no torcedor, definindo-o como um esporte que atrai culturas, crenças e raças diferentes em busca do mesmo objetivo, ou seja, o grande prazer de ver o seu time competir e de conquistar vitórias, e ver, afinal, reconhecido também, o esforço do  ídolo que veste a camisa do clube do seu coração.

Na contra-mão desses valores cultuados pelo torcedor, encontram-se as importâncias astronômicas que os clubes de futebol se dispõem a pagar por atletas, que embora providos de grande talento, mal saíram da adolescência. Com  isso, já se foi o tempo em que um jogador de futebol tinha amor pela camisa vestia.

Embora tenham os atletas o direito da recompensa pelo talento e o esforço, são notórios os estragos que a síndrome do dinheiro fácil  promove nas cabeças de nossos jovens jogadores, que de uma hora para a outra, passam da extrema pobreza, para uma vida de luxo extremo, com carros reluzentes,  mansões, a fama e o assédio da imprensa, uma verdadeira idolatria. Que digam o goleiro Bruno e o atacante Adriano.

Na ponta destas transações comerciais encontram-se os clubes e os famosos empresários do futebol, verdadeiras raposas, que vêem no atleta, não o crescimento profissional do homem como exemplo de trabalho e dignidade, mas a possibilidade da obtenção do lucro fácil e de maneira rápida, se concretizado o negócio.

E o apaixonado torcedor, aquele que cultua o amor pelo clube do coração?  A este, resta-lhe, tão somente, a decepção de ver o seu ex-ídolo trocando o amor da camisa pelo alto salário pago por qualquer clube rival, razão única do beijo no escudo.