A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

O papel da oposição

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No dia 19 de outubro do ano passado, portanto a mais ou menos um ano atras, o jornal A Notícia publicou uma crônica nossa, na qual criticávamos a letargia em que se encontrava a oposição com vistas a eleição presidencial de outubro deste ano.

Naquela oportunidade, destacamos a importância de uma oposição responsável para o sistema democrático, seja na fiscalização das ações do governo, seja na formação do contraditório, e, principalmente, na apresentação de soluções para os problemas cruciais da população, uma atuação enfim, que seja capaz de levar a sociedade a tomar conhecimento e participar ativamente dos principais temas de interesse nacional.

Embora naqueles dias, as pesquisas elaboradas por vários institutos apontassem o  favoritismo do candidato do PSDB, José Serra, que tinha 39% das intenções de voto contra 17% da candidata oficial, Dilma Roussef, comentamos que estávamos achando a oposição ineficiente, letárgica e delicadas demais com o governo.

Voltamos ao assunto no dia 19 de março, e deixamos claro aqui neste espaço, que se a oposição não se mobilizasse, Lula, com a sua popularidade viraria o jogo e poderia  acrescentar no seu vasto currículo mais um fato histórico, ou seja, fazer da candidata que ele inventou, a primeira presidenta da República do Brasil.

Pois bem, Lula virou o jogo. A candidata oficial que ele leva de carona pelo Brasil afora, pode ganhar a eleição já no primeiro turno, se confirmados nas urnas, os resultados das  últimas pesquisas.

E o que faz a oposição? O temor de enfrentar a popularidade do presidente está fazendo com que homens de quem muito se esperava, como Fernando Henrique Cardoso, sumissem do mapa. Onde está FHC, que não aparece na campanha do candidato do seu partido? Será que guarda alguma carta mágica na manga para apresentá-la na hora que considera certa? Se é assim, quando chegar essa hora, a “vaquinha já terá ido pro o brejo” diria o filósofo do interior, personagem preferido do meu amigo, o professor Marcos Coutinho.

O papel da oposição numa democracia é colocar o dedo nas feridas do governo. É apontar as falhas, é mostrar tudo o que não deu certo e chamar a atenção da população para discutir os temas, na busca de soluções.

O candidato Serra, por exemplo, quando fala de saúde, prefere destacar a eficiência dos genéricos, quando os problemas cruciais do setor estão na falta de saneamento básico, ou nas filas dos hospitais públicos, onde a população morre sem atendimento por falta de estrutura. Quando diz que vai criar um ministério para a segurança, não tem coragem de dizer que esse foi um dos maiores problemas do Brasil nos últimos anos, pois engloba as deficiências prisionais, a falta de aparelhamento às polícias, o combate ao narcotráfico, a educação e a desfavelização das grandes cidades, problemas que os estados e os municípios sozinhos, nunca conseguirão resolver.

Os dois principais concorrentes da candidata oficial, ao tentarem apresentar soluções à população, não têm coragem de dizer que parte dos grandes  problemas que afligem a população cresceram e ficaram sem solução nas duas gestões de Lula, temendo uma represália nas urnas. O temor é tanto que até utilizam a imagem do presidente em suas campanhas.

Portanto, com base nas pesquisas, se alguém tinha dúvidas de que o presidente conseguiria transferir votos para a sua candidata, com certeza, não tem mais. Temer a popularidade do presidente é uma covardia. A oposição tem que fazer o seu papel.