Por Francisco Laviola
Sempre que posso, procuro estar ligado no Programa Tribuna Independente, da Rede Vida, que vai ao ar no horário das 22h15m nas noites de terça-feira.
O programa de entrevistas é comandado ao vivo diretamente de Brasília pelo meu amigo Leandro Mazzini, escritor muriaeense, jornalista, comentarista político com passagem por vários jornais, como o Jornal do Brasil; cronista do Informe JB e hoje apresentador do programa, que, por ser muriaeense e com toda essa bagagem profissional citada, por si só, já mereceria a atenção e a audiência de todos os seus conterrâneos.
O programa comandado por Leandro, entrevista, com inteligência e muita competência, as maiores personalidades que participam da vida política e da atualidade nacional em todos os níveis. Portanto, um programa atualíssimo que recomendo aos leitores que queiram permanecer ligados nos acontecimentos políticos de nosso país.
Na terça-feira da semana passada, o entrevistado foi, nada mais nada menos, do que o folclórico e polêmico deputado Paulo Maluf, que compareceu ao programa para ser sabatinado sobre sua vida pública, seus mandatos e principalmente sobre seus processos que se avolumam no Supremo Tribunal Federal.
Confesso que nunca vi um político com tamanha habilidade para driblar perguntas embaraçosas, respondendo a todos os questionamentos feitos pelos inteligentes entrevistadores da bancada, sem responder, na verdade, absolutamente nada. Entendem como é? Assim foi o programa inteiro, e Maluf passou incólume por perguntas como “malufagem”, “rouba, mas faz”, ficha suja, a sua procura por parte da Interpol e processos na Justiça comum e no STF.
Só para esclarecer, Maluf foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 500 mil votos e por isso é cortejado hoje até por membros do governo federal, embora pese sobre seus ombros uma coleção de processos.
Recentemente, segundo reportagem do Jornal O Globo, os ministros do STF aceitaram mais uma denúncia contra ele, que será réu em mais uma ação, acusado de crime de lavagem de dinheiro. Além de outros dois processos que o ex-governador e atual deputado federal já responde no STF por crimes contra o sistema financeiro, os noticiários dão conta de que há dezenas de outras ações cíveis por improbidade administrativa, além de ser procurado pela Interpol em mais de 180 países.
Para definir os desvios de verbas que ocorrem no país, inventaram até o verbo “malufar”, que não existe em nenhum dicionário. Enquanto para os acusadores do deputado “malufar” quer dizer roubar, segundo ele, “malufar” é sinônimo de muito trabalho e de realização de obras na cidade de São Paulo, quando foi prefeito, e no estado, quando governador.
Divergências à parte, não se pode negar que o deputado tem um grande cacife eleitoral, pois mesmo acusado de tantos processos e mesmo com tantas evidências de irregularidades na sua passagem pela vida pública, conseguir se eleger com uma votação superior a 500 mil votos não é para qualquer um.
Enquanto isso, ele que já fez 80 anos, vai se safando, contando com toda a gama de recursos processuais e a morosidade da Justiça, inclusive da Suprema Corte, sem que ninguém possa taxá-lo, a princípio, de ficha suja, por conta da presunção de inocência, um preceito constitucional que continua valendo enquanto o acusado não for condenado definitivamente nas instâncias superiores.


