A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

A herança maldita

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Por Francisco Laviola

A recente queda em cascata de ministros do atual governo, todos acusados de envolvimento em algum esquema de corrupção, fizeram com que as atitudes de demissão imediata tomadas pela presidenta Dilma Rousseff ganhasse a simpatia do povo, o que tem melhorado o seu índice de popularidade.

Para as atitudes da presidenta de defenestrar seus colaboradores diretos envolvidos em algum desvio de conduta, inventaram até o pomposo nome denominado de “faxina ética”, embora a presidenta tenha demonstrado pouca simpatia pelo termo.

Não se sabe se ela tem alguma coisa contra as bravas faxineiras, produtos de limpeza ou outros instrumentos do gênero como vassouras, por exemplo, imprescindível para varrer a sujeira, desde que não seja para debaixo do tapete. Certo é que, com a tal “faxina” nos ministérios envolvidos ou outro nome que queiram dar para as atitudes tomadas pela presidenta na tentativa de moralizar a administração pública, ela teve a aprovação do povo, tanto é que seu índice de popularidade cresceu.

Depois da Casa Civil, dos ministérios do Turismo, dos Transportes e da Agricultura, onde já houve a tal limpeza, agora chegou a vez do Ministério dos Esportes, comandado pelo ministro Orlando Silva, acusado, em reportagem feita pela revista Veja, de desvio de recursos através de ONGs ligadas ao PC do B, seu partido. E o curioso é que as denúncias chegam num momento crucial, em função da importância da sua Pasta nestes tempos que antecedem a liberações bilionárias de verbas para infraestrutura dos grandes eventos esportivos que virão, como a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

Segundo as reportagens veiculadas pelos órgãos de comunicação, há fortes indícios de irregularidades na liberação de verbas bilionárias feitas para várias ONGs, sem a devida prestação de contas, ou para outras, que não apresentam endereço fixo, ou são registradas em nome dos conhecidos “laranjas”.

Há de se registrar, porém, que a simples queda de um ministro não significa punição, sendo imprescindível a apuração dos fatos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para que essas pessoas, uma vez provado o seu envolvimento, sejam exemplarmente punidas pela Justiça.

Quanto ao ministro Orlando Silva, ele está na “marca do pênalti” e, se quiser continuar no cargo, terá que ser bastante convincente nas suas explicações, para não ter o mesmo destino dos outros.

Enquanto isto, a presidenta Dilma continua o seu “Calvário”, tentando administrar a tal herança maldita deixada por Lula, e para não ser leniente com as roubalheiras na administração pública, hoje denominadas de “malfeitos”, não poderá tirar o pé do acelerador e terá que continuar a sua “faxina” - embora não goste do termo -, se quiser continuar a ganhar a confiança do povo.