Por Francisco Laviola
Em uma crônica anterior, aqui mesmo neste espaço, escrevemos que o brasileiro convive diariamente com o chamado “economês”, verdadeiros palavrões para a grande maioria. Volatilidades de ativos, commodities, spread, derivativos, superávit primário são alguns exemplos. A maioria ouve, mas nãom sabe do que se trata, embora fala parte do dia a dia de cada um.
Fui instigado um dia desse em conversa com um leitor, que, ouvindo durante duas semanas seguidas nos noticiários a respeito de uma verdadeira guerra travada entre o Congresso e o executivo na votação de uma matéria, e já estando ele..., vá lá, de “saco cheio”, me perguntou o que significa a sigla DRU. Pensei, enchi o peito, respirei fundo e respondi na “bucha”: não sei. Poreém, me safei parcialmente da inesperada pergunta, respondendo, e nesse caso eu sabia, de que a tal DRU se trata de um mecanismo que permite o governo mexer livremente em 20% de todo o Orçamento da União, e para isto o Congresso teria que votar a prorrogação do mesmo, uma vez que o vencimento será no dia 31 de dezembro. Mas, com referência á sigla, só fui descobrir depois de pesquisar, e fiquei sabendo, assim, que ela leva o pomposo nome de Desvinculação de Receita da União.
Da mesma forma como se fala o “economês”, convivemos também com muitas outras siglas, como SENAI, SENAC, IGPM, INPC, IPC, BOVESPA, UNESCO, FUNAI, FIFA, IBGE, CNBB, MCCE, OEA, PIB e muito mais, sem contar, principalmente, as siglas de partidos políticos, as quais duvido muito que alguém saiba o que significam todos aqueles verdadeiros ensopadinhos de letras, que constituem o vasto quadro partidário da política brasileira.
É óbvio que sabemos que as siglas são abreviaturas utilizadas, na maioria das vezes formatadas pelas iniciais dos termos, para dar maior agilidade e praticidade, tanto no falar como no escrever, mas a verdade é que muita gente ouve, convive com elas e não tem a mínima ideia do seu verdadeiro significado.
Embora nada tenha a ver com as siglas, lembrei-me também de uma outra situação, que no caso envolve a Polícia Federal. A "PF" gosta de nomear as suas operações com nomes estranhos, que, se não forem explicados, o povo também não entende. Nos últimos tempos tivemos as operações Anaconda (venda de sentenças), Sanguessuga (compra superfaturada de ambulância), Farol da Colina (remessa ilegal de dinheiro para o exterior), Caixa de Pandora (extorsão de empresários), Matusalém (ação para prender suspeitos de desviar verbas do INSS) e muitas outras, como a polêmica Satiagraha, operação para investigar crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo grandes empresários.
É bom falar disso, pois tratam-se de pequenas curiosidades que o povo ouve, vê nos noticiários, mas não se interessa pelo real significado.
Já finalizando, ia até me esquecendo das organizações não governamentais, as popularíssimas e atuais ONGs, sigla que anda causando um tremendo alvoroço dentro do governo, pois anda derrubando uma enxurrada de ministros.
Como acabou o espaço, vou copiar descaradamente a despedida do colunista do Jornal O Globo, Marcelo Adnet. “Fui”.


