A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

A faxina não pode parar

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Por Francisco Laviola

Fala-se muito da herança maldita deixada pelo governo Lula para a sua sucessora Dilma Rousseff por causa da leniência com que o ex-presidente tratou as escandalosas denúncias de irregularidades dentro do seu governo.

A partir do tal “mensalão”, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2005, processo que, diga-se de passagem, encontra-se até hoje no Supremo Tribunal Federal para julgamento, com o indiciamento de quase 40 pessoas, incluindo integrantes do alto escalão de então, desencadeou uma espécie de efeito cascata, mostrando as entranhas e as mazelas da administração pública federal.

A herança lulopetista recebida pela presidenta Dilma tornou-se maldita na medida em que, em nome da governabilidade, ela aceitou continuar com o absurdo modelo de governança, baseado no loteamento de ministérios e cargos importantes direcionados a alguns partidos fisiologistas e sem ideologias próprias, que hoje compõem a base governista, com o único objetivo de conseguir apoio e votos dentro do Congresso para os projetos do governo.

A escalada de irregularidades ocorrida no primeiro escalão do governo, dentro de ministérios entregues a partidos da sua base, obrigou a presidenta a promover a tal “faxina ética”, jogando pela janela nada menos do que cinco ministros, acusados de envolvimento com ONGs fajutas e outras formas de desvios do dinheiro público.

Porém, a conduta da presidenta Dilma de promover a faxina, elogiada a princípio, o que fez até crescer a sua popularidade junto aos brasileiros, vai perdendo força na medida em que esbarra nos interesses escusos do fisiologismo partidário, aos quais ela está, por força do modelo adotado desde o governo anterior, obrigada a seguir para não perder a sua base de sustentação.

A arrogância demonstrada pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, embora flagrado em diversas mentiras perante o Congresso, desvios de conduta, e outras “maracutaias”, não foram suficientes para que ele fosse sumariamente defenestrado pela presidenta até agora, num decepcionante recuo que beira a covardia, por conta da pressão feita pelo PDT, partido do ministro fanfarrão, que compõe a base aliada. E aí vem a pergunta: por que parar a faxina? Pode ser que quando você estiver lendo este artigo, o ministro canastrão já esteja fora do governo, pois até a Comissão de Ética da Presidência já recomendou a sua demissão sumária e sua situação é insustentável. Também pode ser que não. Depende da presidenta, que anda pedindo calma para não perder o apoio do PDT.

Fala-se muito numa reforma ministerial para o próximo ano, porém se não houver uma mudança radical nos métodos de governança, dificilmente terá a presidenta Dilma as condições necessárias para se desvencilhar da herança lulopetista, e continuará, para a decepção da sociedade, a conviver com os “malfeitores” que há anos cercam o governo. Infelizmente essa é a realidade.