A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

A derrocada de um ministério

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Por Francisco Laviola

Não parece e nem pode deixar transparecer, mas deve estar meio atordoada e se sentindo sem chão a presidenta Dilma, por conta do efeito dominó ou queda em cascata, como queiram chamar, todo esse imbróglio envolvendo integrantes do seu ministério, principais colaboradores nas diferentes áreas da administração do país.

Atordoada, porque a corrupção não dá folga e a cada semana que passa surgem novas denúncias de envolvimento de algum deles em algum tipo de falcatrua, atual ou do passado, cuja bomba-relógio com tempo marcado para explodir vai sendo depositada impiedosamente sobre a sua mesa. Sem chão, porque a sua condição de  tutelada está sendo bastante prejudicada em função da doença do seu inventor, estimulador e mais do que isso, o seu principal articulador e conselheiro político.

Se fizesse parte da oposição hoje, diria Lula que, “nunca antes na História deste país” houve uma derrocada tão grande de um ministério em tão pouco tempo de governo. E o que é pior, com exceção do ministro da Defesa, Nelson Jobin, que foi defenestrado por falar demais, todos os outros - já são seis - foram demitidos por estarem envolvidos em denúncias de corrupção e os tais “malfeitos” em suas Pastas.

Se não bastassem os que já saíram, mais dois estão na fila de espera: o ministro das Cidades, Mário Negromonte, sob a acusação de que funcionários da cúpula do ministério teriam fraudado documentação de obras do PAC para aumentar em R$ 500 milhões projetos de mobilidade para a Copa do Mundo; e Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que se encontra às voltas com denúncias de tráfico de influência, com ganho milionário em consultorias, bem ao estilo Palocci, embora em menores proporções.

São tantos os modelos de corrupção e as bandalheiras nas mais diversas áreas da administração pública, que já estão até querendo “canonizar” o ex-presidente Fernando Collor. É que o processo que resultou no impeachment do ex-presidente, obrigando-o a renunciar, foi deflagrado pela descoberta de irregularidades na aquisição de um Fiat Elba, comprado em nome de um “laranja”.

Pois bem, segundo as más línguas, o desvio de conduta de Fernando Collor quando presidente, mesmo incluindo o seu famoso caixa dois e o seu envolvimento com o PC Farias, se comparado com o que anda acontecendo atualmente, o ex-presidente não seria julgado hoje pelo Supremo Tribunal Federal. Seu processo seria distribuído e julgado pelo Juizado de Pequenas Causas. Embora sabendo que a Lei Maior não permitiria, há de se considerar que a brincadeira faz sentido.