A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

Oposição ou vaca de presépio?

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Por Francisco Laviola

Já por duas vezes, se não me falha a memória, tivemos a oportunidade de comentar aqui, neste espaço, sobre a atuação da oposição no Brasil.

Destacamos sempre a importância de uma oposição atuante dentro do regime democrático e a sua natural importância para uma democracia plenamente consolidada, uma vez que dentre as suas funções está inserida a atribuição da fiscalização e da cobrança dos eventuais equívocos éticos do governo, estabelecendo o contraditório para que possa a sociedade tomar conhecimento e participar dos principais temas de interesse nacional.

Não estamos fazendo aqui uma apologia daquela oposição sistemática e intransigente, que se coloca contrária a qualquer projeto governista só pelo prazer de contrariar, mas fazendo a defesa de uma oposição atuante, equilibrada e responsável, que seja capaz de propor avanços em todos os projetos nos quais o governo tem acertado e, principalmente, alternativas capazes de viabilizar projetos onde houver deficiências, como, por exemplo, nas prestações de serviços públicos, hoje ainda muito precárias.

Onde está a oposição no Brasil? Ela se limita hoje a pouquíssimos partidos, alguns totalmente dilacerados, sem ideologia, outros desorganizados ou se decompondo, como é o caso específico do Democratas, que perdeu parte da sua representatividade para o recém-criado PSD, que, por sua vez, tende também a se bandear para o lado do governo.

O PSDB, que é o principal partido de oposição, está mais preocupado com uma disputa interna entre Aécio Neves e José Serra, que não abre mão de ser novamente o próximo candidato à Presidência da República. Além disto, não há nomes de expressão nacional capazes de levantar nenhuma bandeira sequer contra os desmandos dentro das principais instituições da República, que fazem o que bem entendem com o objetivo único da perpetuação no poder.

Na época da ditadura militar, apesar da censura e da opressão, ouvíamos bradar as vozes de homens como Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Miguel Arrais, Leonel Brizola, e principalmente a de Ulisses Guimarães, homens que, apesar do poder e da força dos militares, jamais silenciaram ou se deixaram levar pelo fisiologismo, levantando bandeiras como a das “Diretas Já”, numa luta intensa pela redemocratização do país.

Mesmo com tudo que vem acontecendo, que é totalmente de domínio público, o que se vê é uma oposição letárgica, incapaz de indignar-se, salvo alguns lampejos esporádicos de poucos parlamentares. A oposição do Brasil de hoje se parece com aquelas vaquinhas de presépio, fabricadas de forma artesanal, que num cenário de fé só são notadas porque balançam a cabeça. A continuar com essa característica, teremos ainda por muitos anos o modelo lulopetista no poder.