A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

Vida que segue, e mais um janeiro que se foi

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Por Francisco Laviola

Por incrível que pareça, a ideia que se tem é de que a natureza elegeu o mês de janeiro para mandar os seus recados através de catástrofes, que embora não se possa afirmar que haja somente a participação do homem com as ocorrências, pelo menos pode ser debitada a ele boa parte da culpa, por questões várias de negligência, imprudência e até de imperícia.

No ano passado, fomos testemunhas de uma das maiores catástrofes climáticas do país acontecida na Região Serrana do Rio de Janeiro, cujas cidades atingidas até hoje não se recuperaram da tragédia ocorrida. Todos nós sabemos que a ocorrência de chuvas fortes, nesta época do ano, é bastante comum, o que provoca os constantes deslizamentos de encostas, quedas de muros, alagamento das margens dos rios e outros tipos de acontecimentos, que podem trazer consequências trágicas para a população.

O mês de janeiro de 2012 não foi tão diferente. Começou com um naufrágio impressionante de um navio na Itália, por negligência ou imprudência de seu comandante, quando várias pessoas morreram ou continuam desaparecidas. No Brasil, o desabamento de um prédio de 20 andares, arrastando junto com ele mais dois, com mais mortes e pessoas desaparecidas ocupa os noticiários desde a semana passada. E até a nossa cidade não ficou para trás, ainda que, felizmente, não houvesse vítimas fatais, o Rio Muriaé apareceu como o grande vilão nos noticiários mostrados para o Brasil inteiro.

Se alguém tem alguma superstição, pode alimentá-la batendo na madeira por três vezes, para evitar que os próximos meses de janeiro, nos anos que virão, não sejam catastróficos, ou para que o “sobrenatural de Almeida”, como dizia Nelson Rodrigues, não continue agindo no primeiro mês do ano, para desespero da população.

A única certeza que se tem é que, se o navio naufragou, é porque houve um erro do comandante ao se aproximar demais da costa, batendo numa pedra; se o prédio caiu é porque houve erro de cálculo na sua base ou nas suas estruturas; se o Rio Muriaé está transbordando  é porque as águas de janeiro já  não cabem mais no seu leito, invadido que foi ao longo do tempo por aterros e moradias irregulares.

No mais, fica apenas a certeza de que os riscos de novas catástrofes poderão continuar a existir e que as semelhanças de ocorrências trágicas não são apenas meras coincidências. Ainda bem que o janeiro se foi.