Os partidos de oposição, com suas ideologias e programas diferenciados, são elementos fundamentais para o exercÃcio de uma democracia plena. Dentre as funções da oposição está inserida a fiscalização das ações do governo e a formação do contraditório, de modo que possa a sociedade tomar conhecimento e participar das discussões que tenham como temas as principais questões de interesse nacional.
Na semana passada tivemos a oportunidade de comentar aqui nesse espaço, sobre a polêmica criada pelas inaugurações de obras pelo governo e de sua utilização como antecipação da campanha da sucessão presidencial de 2010, expediente que vem sendo utilizado espertamente pelo presidente Lula, com a complacência de uma oposição que não se manifesta.
A polêmica da antecipação da campanha, por exemplo, estranhamente, não foi levantada por nenhum integrante de partidos de oposição, mas pelo presidente do STF Gilmar Mendes, para quem Lula e Dilma Rousseff estariam "testando a Justiça Eleitoral". Somente após esse epsódio é que os partidos oposicionistas se pronunciaram.
Não estamos defendendo aqui a existência daquela oposição sistemática e intransigente, que se coloca contrária a todo e qualquer projeto governista, mas fazendo a defesa da existência de uma oposição atuante, equilibrada e responsável, que seja capaz de propor avanços nos projetos nos quais o governo acertou e alternativas viáveis onde houver deficiências.
O PSDB, que é o maior partido de oposição e que segundo as pesquisas, tem as maiores chances de chegar ao poder através de um dos governadores São Paulo/Minas (Serra-Aécio), tem se mostrado delicado demais para com o Governo, restringindo a sua oposição a alguns pronunciamentos de alguns de seus senadores na tribuna do Senado.
Enquanto isso, o presidente Lula "deita e rola" sem ser incomodado. Inaugura obras do PAC, fala do pré-sal, faz alianças até com o Judas, como ele mesmo disse, e divulga o Bolsa FamÃlia, o principal programa social do governo que está se tornando assistencialista, e que corre o risco de fabricar milhões de dependentes do estado, mas que ninguém da oposição tem a coragem de falar.
Embora ainda estejamos longe das eleições, é preciso acordar os partidos de oposição, pois, o estado de letargia em que se encontram em nada contribuirá com a democracia brasileira.


