A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

Coisas do futebol

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O jornal A Notícia, publicou no mês de junho deste ano um editorial, no qual defendia a tese de que, como na física, também no futebol, os opostos se atraem. Esse esporte que é uma paixão nacional, atrai culturas, crenças e raças totalmente diferentes, em busca dos mesmos objetivos circunstanciados na fama, no prazer de competir e de ganhar, levados enfim, por um objetivo de vitória e pelo reconhecimento do esforço.

Para justificar a afirmativa de que também no futebol os opostos se atraem, mostra o editorial que "na busca desses objetivos as pessoas convivem de forma paradoxal, levadas por emoções antagônicas como a tristeza e a alegria, a ansiedade e o alívio, as orações e os palavrões, tudo num cenário que reúne, brancos, negros, espíritas, católicos, evangélicos, ricos, pobres, cultos, analfabetos, pessoas humildes, e até o presidente da República". Querem uma prova disso?

Um fato interessante nesse sentido marcou a semana passada, e teve como protagonista, para variar, o presidente Lula. É que nos encontros que ele manteve com os presidentes de Israel Shimon Peres e da Autoridade Nacional Palestina Mahamoud Abbas, o presidente brasileiro propôs a realização de um jogo da seleção brasileira contra um combinado de jogadores palestinos e israelenses denominado " jogo da paz". Os dois lados vivem em conflito permanente com milhares de mortos de ambas as partes, desde a criação do Estado de Israel. Lula, que de bobo não tem nada, apostou na possibilidade de que um jogo de futebol possa representar o pontapé inicial para selar a paz entre os dois brigões, embora espertamente, tenha tratado de sugerir a realização do jogo em um campo neutro, por razões óbvias.

Se der certo, o que se pensa é o seguinte: se o Obama ganhou um prêmio Nobel da Paz por causa de sua intenções apesar de continuar mantendo duas guerras, por que o nosso presidente não poderia ganhar um também, apostando na força do nosso futebol? Vamos torcer para que a proposta do presidente seja aceita, e que possa, quem sabe, dar início a um processo de paz naquela região, e talvez, até credenciando o nosso presidente a "faturar" um premiozinho.

Por falar em torcer, já mudando de rota, foi muito engraçado ver a torcida do Flamengo empolgada torcendo pelo rival, o meu Botafogo, no jogo contra o São Paulo, domingo passado. E o Fogão, embora desacreditado pela sua própria torcida, brindou a imensa torcida rubro-negra, a nossa maior rival, com uma bela vitória. Eles que passaram tanta energia para o alvi-negro, esqueceram-se de passá-la também para o Mengão, que acabou por não fazer a sua parte. Seu empate teve sabor de derrota para a sua torcida. São esses encantos e desencantos, que fazem desse esporte a nossa maior paixão. São coisas do futebol.