A Notícia

Quinta
09 de setembro de 2010

O pior cego

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Com escandalosas imagens do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda veiculadas pela televisão recebendo dinheiro de empresas, segundo as denúncias, fica evidenciado mais uma vez esse câncer que corrói as entranhas da política nacional, a corrupção.

O que impressiona na maioria desses casos e que nos deixa indignados, é a frieza, a desfaçatez e a "cara de pau" dos personagens envolvidos, que sempre que flagrados, têm a resposta na ponta da língua: não vi, não sei, não sou eu.

Os escândalos que se sobrepõem uns sobre outros, fazendo com que os mais remotos sejam abafados pelos mais recentes, mostram que o Brasil é um país dos esquemas e dos artifícios, e revelam ainda, a dificuldade que a democracia brasileira tem para lidar com sua representação política.

A falta de transparência da estrutura governamental e a certeza da impunidade são alguns dos fatores determinantes dessas ações criminosas.

No caso específico do Distrito Federal, as imagens e diálogos gravados por um dos integrantes do esquema não deixam dúvidas quanto a ação de uma associação criminosa robusta, criada e mantida por integrantes do governo Arruda, para receber dinheiro ilegal de empresas fornecedoras de serviços, com farta distribuição do "produto" arrecadado.

A declaração do presidente Lula de que "as imagens não falam por si", reedita a mesma condescendência demonstrada por ele com o mensalão do PT em 2005, quando ele cansou de dizer para a imprensa de que não sabia de nada. Hoje, quatro anos depois, o processo encontra-se no STF para julgamento de 39 acusados, parte deles pessoas que integravam o governo, estando a sociedade esperando por uma resposta da justiça.

As práticas fisiológicas, as condescendências, a estratégia de compactuar com as irregularidades tendo como objetivo o apoio político a qualquer custo, em nada contribuem para o saneamento da vida pública.

No caso do Distrito Federal, as imagens são contundentes. Negar os fatos e as imagens é uma agressão à inteligência do povo. Só não vê aquele que por razões escusas não quer ver. É o pior cego.