A Notícia

Terça
07 de fevereiro de 2012

Um passo adiante

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Em artigo publicado neste espaço, no final de outubro do ano passado, criticamos o estado de letargia em que se encontravam os integrantes da oposição ao governo Lula.

Destacamos, na oportunidade, a importância da função de uma oposição ativa e responsável no exercício da democracia, tendo em vista a formação do contraditório de modo que a sociedade possa tomar conhecimento de ideias e participar mais ativamente das principais questões de interesse nacional.

Tal cobrança não faria sentido, se o presidente Lula não tivesse ele próprio deflagrado a campanha de sua sucessão, o que tem feito de forma antecipada, sistemática e irregular, numa flagrante afronta à legislação eleitoral sob os olhos complacentes do TSE. As aparições e os discursos da pré-candidata Dilma Rousseff em palanques, sob o pretexto de inaugurar obras do governo Lula, sempre fazendo críticas aos governos anteriores (leia-se FHC), demonstra o caráter eleitoreiro desses atos chamados de oficiais, todos financiados com o dinheiro público.

Chamado a polemizar por várias vezes pelo próprio Lula, surge agora o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB para fazer a defesa de seu governo. Em artigo publicado em jornais de grande circulação cujo o título foi "Sem medo do passado", FHC diz que "se o lulismo quiser comparar os dois governos, sem mentir, a briga é boa. Nada a temer".

Na verdade, o que tem ocorrido é que, enquanto o governo inicia o ano eleitoral jogando pesado, os partidos de oposição não conseguem mobilizar suas lideranças, especialmente o PSDB, cujo eventual candidato, embora líder nas pesquisas de intenção de votos, não se define como tal.

Embora as comparações do desempenho do dois governos nos últimos 15 anos sejam inevitáveis, não poderá ser esse o centro das discussões, o que daria à eleição presidencial um caráter plebiscitário, pois nem Lula nem FHC são candidatos.

O que o povo deverá estar atento é para não entrar nessa de brigas e comparações, e que possa escolher aquele candidato que esteja melhor preparado, seja do governo ou da oposição, mas que tenha o compromisso para com a sociedade no sentido de dar mais um passo adiante, avançando em todos os programas que deram certo e realizando tudo aquilo que os dois brigões não foram capazes de fazer.