A Notícia

Terça
07 de fevereiro de 2012

O primeiro passo

E-mail Imprimir PDF

Têm sido recorrentes as matérias publicadas aqui neste espaço sobre a impunidade de políticos flagrados em atos de corrupção. Mais do que recorrentes, têm sido repetitivas, fazendo com que corramos o risco de provocar em nossos poucos, mas estimados leitores, uma congestão por excesso de um assunto indigesto, ao insistirmos, batendo na mesma tecla.

Contudo isso, considerando o fato inédito da prisão de um governador e o simbolismo da decisão do STJ, volto ao assunto corrupção/impunidade com a esperança de que a sociedade brasileira poderá, a partir desse momento, estar começando a acreditar na Justiça, e que, enfim, poderá estar vislumbrando uma luz no final do túnel.

A prisão do governador José Roberto Arruda, juntamente com o seu grupo de maus colaboradores, demonstra o início de uma luta contra a impunidade e o momento atual da Justiça, que com essa decisão, começa a dar uma resposta positiva à sociedade, demonstrando que todos aqueles que emporcalham a política e a administração pública estão ao alcance da lei.

A decisão tem um caráter simbólico na medida que demonstra a maturidade e o fortalecimento de instituições, como a OAB, autora da ação, o Conselho de Magistratura, o Ministério Público, entre outras. Além disso tem um aspecto pedagógico, pois obriga a todos os detentores de mandatos a fazerem uma reciclagem nas suas consciências, na maneira de fazer política e na forma de lidar com dinheiro público.

Embora a prisão do governador seja um marco inicial no combate à corrupção, é preciso criar mecanismos que propiciem à Justiça a possibilidade de julgamentos mais céleres, impedindo que corruptos continuem impunes, pois é a certeza da impunidade que faz com que eles se proliferem na administração pública.

Uma declaração do presidente nacional da OAB Ophir Cavalcante merece ser transcrita, sem maiores comentários, pois, é autoexplicativa: "A prisão repõe a ordem, a lei, o bom senso e confere esperança à sociedade de que é possível derrotar a corrupção".

Pode ser que quando sair a publicação desse artigo, o governador do Distrito Federal já esteja até solto, mas, de qualquer forma, o primeiro passo contra a corrupção está sendo dado.