A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

Comendo pelas bordas

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Têm sido constantes as críticas de toda a imprensa brasileira ao presidente Lula, por conta de suas relações com alguns chefes de governos polêmicos, especialmente Hugo Chavez da Venezuela, Raul Castro (ou Fidel), de Cuba, e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã. A relação do presidente com governos anti-democráticos é, na verdade, um débito político que Lula vem administrando, embora extremamente criticado.  
 Aqui mesmo, neste espaço, já fizemos críticas à sua incontinência verbal e à sua maneira de fazer política, sempre meio fanfarrão e meio inconsequente, armas que  ele sabe muito bem utilizar para “vender o seu peixe”, dizendo sempre o que o povão gosta de ouvir, ao mesmo tempo em que ocupa os espaços que sua  popularidade em alta lhe dá. Um político “ensaboado”, diria um antigo professor.
Como já escrevi, em outra ocasião, Lula é um retirante nordestino que perdeu um dedo da mão quando era operário metalúrgico, sem diploma e sem gostar de ler (ele confessa), mas que foi líder sindical, virou presidente, discursa na ONU, passeia de carruagem com a rainha da Inglaterra e dá palpite na economia dos países ricos. Um mito.
Com a manutenção e ampliação dos programas sociais no seu governo, sua popularidade sempre esteve em alta, o que lhe permitiu tirar do bolso do colete o nome de Dilma Rousseff, uma  candidatura nascida no meio do sufoco, pois, os candidatos naturais à sua sucessão, José Dirceu e Antônio Palocci se viram envolvidos nos escândalos do mensalão e outras complicações.
Embora não tenha nenhuma experiência administrativa, e pouco “jogo de cintura”, a pré-candidata oficial, que começou com 12% das intenções de voto, contra 39 % de seu principal oponente, o também pré-candidato José Serra, do PSDB, ela vem subindo nas pesquisas, e pode surpreender nas eleições de outubro, podendo tornar-se a primeira  mulher a ser presidente do Brasil, o que é, na prática, mais um fato histórico a ser creditado também na conta do presidente Lula.
O que se pode concluir afinal, é que, tanto na política interna como na política internacional, mesmo criticado pela forma e os meios utilizados, o presidente que de bobo não tem nada, vai escrevendo o seu nome na história como Estadista, e se deixarem, ele vai, a seu jeito e devagar, comendo a sopa pelas bordas.