A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

Cuidados com a polarização

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Com a definição da candidatura de José Serra para concorrer à eleição presidencial de outubro, o cenário político-eleitoral do país está apontando, indubitavelmente, para um embate polarizado das campanhas entre o candidato do PSDB e a candidata do governo Dilma Rousseff.
A falta de outros candidatos com reais possibilidades de êxito no próximo pleito à presidência da República, aponta para essa realidade, ou seja,  a concentração sa atenção do eleitor nos dois principais candidatos.
Os outros prováveis candidatos, Ciro Gomes, Marina Silva e Heloísa Helena,  embora tenham propostas capazes de sensibilizar os eleitores, a julgar pelos seus desempenhos nas pesquisas, não serão páreos nem para o ex-governador de São Paulo nem para a ex-ministra da Casa Civil.
Ciro Gomes, até hoje não sabe se quer ser candidato, ou não. Seu partido, o PSB,  também depende de uma coligação mais consistente, com os chamados partidos nanicos, ou seja, os partidos de menor representação política, com a esperança de aumentar o seu tempo de propaganda eleitoral na televisão e apresentar-se assim como uma alternativa viável à polarização Dilma/Serra. Trata-se de um político com boa experiência administrativa, que já foi prefeito, governador de seu estado, ministro e candidato à presidente por duas vezes. Caso não consiga as alianças que pretende, ele pode até apoiar a candidata oficial, pois, anda meio afinado com o governo.
O caso de Marina Silva é um pouco diferente. É candidatíssima pelo PV (Partido Verde). Já disputou algumas eleições, é senadora, foi ministra do Meio Ambiente, tem bom discurso e algumas boas propostas para o futuro, mas, é pouco conhecida. Primeiro terá que se fazer conhecer, para que possa avançar nas pesquisas, hoje em torno de 10% das intenções de voto. Quanto a Heloísa Helena, do PSOL, que já foi candidata a presidente da República, ela ainda é uma incógnita.
A polarização de qualquer campanha eleitoral não atende plenamente os pré-requisitos de um sistema democrático. E nesse caso, pode ser ruim para o eleitor, e pior para o Brasil. No lugar de propostas para o futuro, para que o povo possa escolher qual o modelo de desenvolvimento pretendido para o país,  poderemos presenciar apenas um embate plebiscitário, onde se discutirá qual dos governos anteriores foi o melhor: FHC ou Lula.
O que ocorre é que nenhum dos dois é candidato, e o que o eleitor deverá estar atento, é  para descobrir, qual dos próximos candidatos tem o perfil adequado para manter o que de bom foi feito em ambos os governos, e qual deles estará mais capacitado para buscar um modelo eficaz de desenvolvimento econômico e social do nosso povo.