Os acontecimentos ocorridos em razão das chuvas que atingiram o estado do Rio de Janeiro, que culminaram com o deslizamento de várias encostas em Niterói e, por via de consequência, na morte de mais de uma centena de pessoas, é mais uma tragédia anunciada que demonstra o descaso de autoridades e do poder público para com a sociedade.
O noticiário dá conta de que as residências atingidas foram construídas em encostas por sobre um depósito irregular de lixo, os chamados "lixões," com a aprovação e urbanização feita pela Prefeitura de Niterói.
Segundo as reportagens feitas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, há no Brasil pelo menos 200 cidades, em que bairros inteiros são construídos e urbanizados em cima de "lixões", com enormes riscos de explosões por causa do gás metano produzido pelo lixo acumulado debaixo da terra.
O que revolta é que as histórias se repetem, seja no morro que desliza enterrando a população, seja na cidade que alaga engolindo pessoas e veículos, seja nos aeroportos sem condições de um pouso seguro, seja nas mortes de crianças e adultos por falta de assistência em hospitais públicos, ou ainda, seja por causa da libertação de um psicopata, atendendo de forma irresponsável a uma absurda progressão de pena.
Em qualquer um dos episódios citados, todos fatos ocorridos recentemente devido a omissão de autoridades e do poder público, tiveram como consequências graves tragédias que poderiam ser evitadas, se fossem os seus casos tratados com a devida responsabilidade e prevenção.
Enquanto o poder público e autoridades constituídas não se previnem, a população se equilibra nos riscos da corda bamba, e entre enchentes, deslizamentos, gripes e dengues, as tragédias vão acontecendo e se acumulando, restando à sociedade apenas a indignação. E às vítimas, que nem sempre lhes sobra o direito de poder enterrar seus entes queridos, estas sim, resta-lhes apenas o choro da perda irreparável.


