A Notícia

Quarta
23 de maio de 2012

A fala de um torcedor

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Não há novidade nenhuma na afirmação de que o futebol é uma paixão nacional. Admitir isso, é, como dizia Nelson Rodrigues, enxergar o óbvio ululante.

A proximidade de mais uma Copa do Mundo que começará em junho deste ano, já causa um verdadeiro "frisson" – não sei nem se a palavra é essa mesmo - nessa galera composta de mais de 190 milhões de pessoas. Ao ouvir o Hino Nacional e ver a seleção brasileira perfilada em campo, o Brasil literalmente para, enquanto os corações brasileiros disparam.

É o esporte dos contrastes, que, como nas lições dos físicos, ensina-se que os opostos se atraem. Conviver com o futebol é confrontar os limites da emoção e da razão, onde caminhos antagônicos seguem sempre juntos.

Querem ver? São caminhos que levam o torcedor a sentir em frações de segundo, as emoções do amor e do ódio, a ansiedade e o alívio, compartilhando as tristezas e as alegrias, e tentando compactuar, como se possível fosse, os erros e os acertos, o azar e a sorte, a oração e o palavrão.

É nesse cenário de antagonismo que se perpetuam as emoções da convivência que entrelaçam, sem diferenças, o pobre, o rico, o negro, o branco, o índio, o evangélico, o católico, a autoridade ou qualquer um do povo. Por tudo isso que o futebol no nosso país é tão mágico quanto apaixonante.

Com toda essa magia, não dá, por exemplo, para cobrar responsabilidade de um drible irresponsável de um Neymar, ou num pênalty batido friamente numa final por um louco, o Abreu. É que o previsível é muito óbvio, e jamais poderia dar certo. O certo nesse esporte é o imprevisível. Saudações botafoguenses. O Fogão é campeão.