Na crônica publicada aqui neste espaço no dia 09 de abril, analisamos as possibilidades dos pré-candidatos à presidência da República postos até então, e chamamos a atenção sobre a polarização da campanha da eleição presidencial entre os pré-candidatos José Serra e Dilma Rousseff. Naquela oportunidade, comentamos que a concentração das atenções do eleitor em apenas dois candidatos, não atenderia plenamente aos pre-requisitos de um sistema democrático, uma vez que, reduzidas as possibilidades de candidaturas alternativas, ficam automaticamente prejudicadas a apresentação de novas propostas e os eventuais projetos de um novo governo, e, por via de consequência, fechado o leque de possibilidades de escolha do eleitor. A retirada de Ciro Gomes da corrida presidencial esta muito longe de ser apenas uma decisão partidária própria, e mostra a fragilidade do seu partido, o PSB, que se rende à imposição e à popularidade do presidente Lula. Ao negar-lhe a possibilidade de disputar a presidência pela legenda, o PSB deixa de andar com as próprias pernas e se alinha a uma coalizão clientelista e pragmática, de olho numa fatia do bolo que pode não vir. O que ocorre é que Lula sempre jogou pesado com vistas à sua sucessão. Na qualidade de líder maior do Partido dos Trabalhadores, sempre o comandou com mão de ferro, impondo-lhe a candidatura que ele próprio inventou. Com os partidos da coalizão, conseguiu montar um esquema de distribuição de ministérios, de forma que nenhum deles, mesmo aqueles que permanecem divididos por questões regionais, sejam capazes de fazerem oposição. Há muito, vem passando por cima da legislação, com a complacência do TSE, antecipando a campanha da candidata oficial, sem ser incomodado, o que só aconteceu, há cerca um mês atras, quando foi multado. Quanto a Marina Silva, somente conseguirá ser a candidata de seu novo partido porque saiu do PT, pois, do contrário, seria também engolida pelo sistema. Assim, embalados por todo esses esquemas montados visando impedir a alternância do poder, não restam espaços para novas candidaturas que possam ser consideradas como alternativas, fazendo com que o cenário eleitoral seja um verdadeiro plebiscito e deixando a democracia brasileira mais pobre.


