A Receita Federal acaba de anunciar nesta semana mais um recorde de arrecadação de impostos para o pais. Foram arrecadados quase R$ 71 bilhões no mês de abril, o que importa, para que o leitor tenha uma ideia, num crescimento real de 16,75% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com o início da recuperação da economia brasileira, o que em tese é uma notícia alvissareira, disparam-se automaticamente, por via de consequência, os gatilhos do "impostômetro", anunciando os resultado de uma das mais altas cargas tributárias registradas no planeta. Sob o amparo de nomes variados, como taxas, impostos, tributos e contribuições, e até sobre-taxas, o objetivo é sempre o mesmo, ou seja, o bolso do contribuinte, mesmo que a contraprestação representada pelos serviços prometidos pelo poder público não tenham a qualidade e nem sejam compatíveis com a dignidade daqueles que contribuem. Nessa semana a pré-candidata do governo Dilma Rousseff voltou a defender a extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), lamentando a perda da receita de R$ 40 bilhões, que segundo ela eram destinados à saúde. Os lamentos da ex-ministra fazem sentido. É que ela faz parte, juntamente com o presidente Lula, do grupo de viúvos da falecida Contribuição, extinta pelo Legislativo em 2008. Ocorre que enquanto a CPMF esteve em vigor, taxando qualquer movimentação bancárias de ricos, pobres e por reflexos até os miseráveis em 0,38 %, a prestação dos serviços públicos de saúde apresentaram a mesma precariedade, o que nos leva a aceitar os argumentos de que esses recursos eram desviados, ou no mínimo gastos de forma inadequada, e não chegavam ao destino para o qual a contribuição foi criada, a saúde.
Se a candidata oficial, que é dura de cintura, começar a sua campanha com a intenção de ressuscitar contribuições e aumentar impostos onerando ainda mais os contribuintes, poderá estar dando um tiro no próprio pé. Alguém precisa dizer a ela para ter calma, e "ir devagar com o andor pois o santo é de barro".


