As imagens do choro do presidente Lula durante uma entrevista concedida à jornalista Adriana Araujo, da TV Record, fez parte do noticiário internacional e correu o mundo.
Jornais de diversos países destacaram, em matérias de capa, a flagrante emoção do presidente, quando falava a respeito das suas conquistas pessoais e das ações de seu governo. Embora tenha justificado a sua emoção dizendo que achava que estava ficando velho, foi absolutamente sincero quando deixou claro que sentirá muitas saudades do Palácio do Planalto, e não descartou a possibilidade de voltar a concorrer novamente, no futuro, ao cargo de primeiro mandatário do país.
Já escrevemos aqui neste espaço que Lula é um verdadeiro mito. Nunca votei nele, mas admiro a sua inteligência, a sua perspicácia e, principalmente, a sua determinação. Nestes quase oito anos do seu governo, Lula foi absolutamente fiel às suas convicções, embora em alguns casos, tais convicções fossem consideradas discutíveis.
Quando foi necessário garantir a governabilidade do País, fez alianças com partidos ou pessoas que antes tinham sido seus adversários ou mesmo inimigos políticos, uma atitude que poucos entenderam, mas nesse caso demonstrou inteligência.
Quando vislumbrou o sucesso de um plano econômico - Plano Real - meticulosamente engendrado no governo Itamar Franco e que foi colocado em prática nos oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso, portanto seu adversário, ao reconhecê-lo como o mais importante plano econômico criado nos últimos tempos, optou por mantê-lo na sua essência e principalmente na sua base. Quando ampliou o Bolsa Família, inspirado na ideia do Bolsa Escola, um programa nascido pelas mãos de Dona Ruth Cardoso, a primeira dama do governo anterior, fez dele um dos maiores programas assistenciais já visto em qualquer parte do mundo, embora muitos o considerem assistencialista. São nestas duas particularidades que se alicerçam as ações e o carro-chefe de seu governo, razão da sua popularidade e da confiança adquirida com o povo.
Mas, uma de suas principais características é, sem dúvida, a determinação. Lula perdeu para FHC, ainda no primeiro turno, em 1998, logo após ter sido aprovada a emenda constitucional que permitia a reeleição em 1997. Somente na sua quarta disputa presidencial, em 2002, que o ex-líder operário chegou à Presidência. É exatamente com essa determinação que Lula tudo fez e tudo fará, para eleger a candidata oficial para um mandato para o qual ele próprio não pôde disputar mais uma vez. Elegendo-a terá o seu governo coroado e aberto o caminho para a sua volta.
Mesmo que o presidente eleito seja outro, no dia da transmissão da posse, Lula estará se retirando do governo, mas estará levando consigo uma popularidade histórica, que o qualificará como o principal político de oposição nos próximos anos.
Portanto, com qualquer resultado que venha a ocorrer nas próximas eleições presidenciais, se considerarmos o choro e a saudade antecipada demonstrada pelo presidente, não se surpreendam se em 2014 ele estiver de volta.


