A Notícia

Quarta
08 de fevereiro de 2012

CAPS supera atendimentos estabelecidos pelo MS

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CAPS excede os atendimentos em 41 pessoas

Por Magno Lopez

Segundo um levantamento feito pela coordenação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Muriaé, o departamento atende 41 pessoas a mais do que determina as diretrizes do Ministério da Saúde. O número de 36 excedentes encontra-se no grupo que realiza o tratamento não intensivo. Em segundo lugar está o setor semi-intensivo com quatro usuários além do estipulado. Em último lugar estão os que realizam tratamento intensivo, que atende 46 pessoas, mas que o certo seria tratar 45.

Se for levado em conta os números, não haveria mais vagas no CAPS de Muriaé. Mas, de acordo com a psicóloga e coordenadora do local, Michele Ferreira Gomes, o acolhimento é feito para todos que procuram o serviço, pois as vezes apenas um encaminhamento resolve. "Contudo, tentamos sempre acolher aqueles que estão em estado mais grave. Mas, é importante saber que mesmo com esses números a Secretaria Municipal de Saúde nunca deixou faltar nada aos pacientes".

Para administrar a entrada e saída de usuários e a possibilidade da abertura de uma nova vaga, uma equipe multidisciplinar do CAPS acompanha rigorosamente a evolução de cada paciente. "Nosso objetivo é resgatar a autonomia das pessoas e a possibilidade de vida individual, dentro das inúmeras possibilidades que temos aqui", explicou Michele.

Dois tipos de público estão mais presentes na realidade do CAPS de Muriaé: o primeiro são os familiares que querem deixar o paciente na sede da instituição; existem aqueles que desejam simplesmente uma consulta psiquiátrica ou psicológica. Esse último grupo é encaminhado para a rede de saúde do município.

A esperança da coordenadora é que essas dificuldades, que não são exclusivas de Muriaé, mas sim de todo o Brasil, sejam discutidas em maio na Conferência Estadual de Saúde Mental, quando serão formuladas diretrizes para a conferência nacional a ser realizada em julho. "O próprio Ministério da Saúde vai observar que o CAPS precisa de mais vagas, bem como de profissionais".

 

NOVA ESTRUTURA - Pelo critério populacional de Muriaé, a cidade não precisaria de outro CAPS com as mesmas características do já existente. Entretanto, uma saída para estabilizar os números, seria a criação do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, já que mesmo atendendo este tipo de público, o CAPS Muriaé não é especializado no tratamento de dependentes químicos. A necessidade foi observada pelos profissionais do departamento, pois a procura para o tratamento destes pacientes já pode ser constatada no dia a dia. Entre as solicitações estão os usuários de álcool, crack e cocaína. "Dependente químico não é igual doente mental, e devido a essa peculiaridade, não poderíamos colocá-los juntos, pois são propostas diferentes. Entretanto vivemos com esta limitação de cuidar desses dois segmentos. Além disso, esta opção tiraria um pouco da demanda que acaba chegando até nós", contou Michele.

Um dos objetivos dos profissionais que trabalham no CAPS de Muriaé é a criação de uma rede de cuidado nos bairros. Este trabalho seria parecido com o que fazem os agentes de saúde dos Postos de Saúde da Família (PSF). Eles entram na casa do cidadão e conhecem a realidade social de cada um. "O que dificulta as vezes é que não conseguimos sair daqui, pois nossa equipe é pequena, mas, estamos tentando realizar este trabalho", contou a coordenadora.

 

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