A Notícia

Sábado
04 de fevereiro de 2012

Doação de órgãos

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Em maio no HSP, os familiares dos 16 potenciais doadores não aceitaram a doação 

Por Magno Lopez

No mínimo, dez pessoas fora de uma hemodiálise, cinco com fígado funcionando e outras dez enxergando perfeitamente. Estes números, até poderia ter se tornado realidade no mês de maio, quando a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) do Hospital São Paulo constatou 16 potenciais doadores. Entretanto, por diversos motivos, os familiares optaram por não fazer a retirada dos órgãos.

A situação chamou a atenção da coordenadora da CIHDOTT, Lucimeire Alves Saraiva Lacerda. Segundo ela, muitos familiares preferiram não realizar a retirada dos órgãos, porque queriam o corpo íntegro para o funeral. "É importante deixar bem claro que o corpo não fica deformado. Fazemos a retirada, mas preenchemos o local com um material próprio", observou.

Esta é um das maiores dificuldades apontadas pela coordenadora: a autorização da família. Mesmo com as informações propagadas pela mídia, ainda há medos e preconceitos no momento da doação. "Entendemos o lado da família em um momento difícil e de dor. Sabemos que é difícil pensar no próximo, quando a pessoa está passando por um sentimento de perda. Mas, nós, membros da comissão, tentamos salvar, vidas daqueles que esperam uma doação", completou.

De acordo com Lucimeire, a CIHDOTT consegue 50% de respostas positivas em relação a doação, o que não aconteceu no mês de maio. "Os "nãos" que recebemos em maio nos deixaram pensativos, sobre o que estaria errado, já que fizemos a abordagem recomendada. Em alguns casos, observamos que a rejeição aconteceu por fatores religiosos e por falta de informação".

Como acontece a doação

Assim que a CIHDOTT constata um potencial doador é aberto um protocolo, de acordo com o solicitado pelo Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina. Neste documento é registrada a morte encefálica. A partir dele são feitos vários exames para a confirmação do óbito, alguns com a presença de familiares. Após os resultados, a equipe multidisciplinar da CIHDOTT faz a abordagem da família, para ver a possibilidade da doação. Se for autorizado, é feita a retirada dos órgãos e, em seguida, o corpo é colocado no estado como estava antes e liberado para o funeral. "Sempre alertamos que, se alguém tiver a vontade de fazer a doação é importante comunicar à família. É preciso deixar bem claro. Esta é uma ação que beneficia não só uma pessoa, mais sim várias".

 

 

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